sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sobre os Annales















Os Annales construíram uma nova história abordando novos grupos sociais, novas perspectivas que eram negligenciadas por antigos historiadores. Com novos métodos, novas fontes e a colaboração de outras ciências, numa construção interdisciplinar.

Começamos na 1° geração onde mudamos de uma história narrativa de acontecimentos para uma história problema, onde nos preocupamos com a geografia, a psicologia e o econômico.

“Outra característica marcante e poderosa do estudo de Febvre era a introdução geográfica, que traçava um nítido perfil dos contornos da região. (...)
O interesse de Febvre pela geografia histórica era suficientemente grande para publicar, sob o incentivo de Henri Berr, um estudo geral sobre o assunto com o titulo de L aterre et l’évolution humaine.”

Marcados pelas figuras de Marc Bloch e Lucien Febvre foi fundada a Revista dos Annales, num ambiente favorável na cidade de Estrasburgo, onde se encontrava um grupo interdisciplinar grande e atuante. Bloch era ligado mais a sociologia do que a geografia, porém insistia na necessidade do historiador dialogar com outras fontes como arqueologia, psicologia e assim por diante.

“(...) Bloch pensava no tema sob a perspectiva de uma história-problema. Num estudo de caráter regional, aprofundou-se tanto a ponto de pôr em questão a própria noção de região, argumentando que esta dependia do problema que se tinha em mente. “ Por que, escreveu ele, devemos esperar que o jurista interessado no feudalismo, o economista que está estudando a evolução da propriedade no interior do país nos tempos modernos, e o filólogo que trabalha os dialetos populares tenham todos que respeitar fronteiras precisamente idênticas?” (Bloch, 1913, p122.)”

Na 2º geração através da figura de Fernand Braudel torna-se verdadeiramente uma escola com estruturas e firmezas dos seus conceitos e métodos. São no seu trabalho como historiador que podemos ver a mudança de um conceito de narrativa de grandes homens para o entendimento do meio que vive, fica explicito no livro Mediterrâneo.

“ Não chegamos ainda ao coração do problema. Abaixo das correntes sociais jaz uma outra história, “uma história quase imóvel... uma história lenta a desenvolver-se e a transformar-se, feita muito frequentemente de retornos insistentes, de ciclos sem fim recomeçados” (Ibid., p.20). A verdadeira matéria do estudo é essa história “do homem em relação ao seu meio”, uma espécie de geografia histórica, ou, como Braudel preferia denominar, uma “geo-história”.”
A terceira geração é marcada pela fragmentação, onde encontra espaço para historiadores de outras nacionalidades que não a francesa, também a inclusão das mulheres. Um dos períodos mais difíceis de explicar sua formação, sua identidade, pois alguns dos Annales continuam explorando os mesmos caminhos da 1º e 2º geração, mas outros voltam à narrativa política e dos eventos.

A falta de uma figura principal como nas gerações anteriores, porém não ofuscam a redescoberta da história das mentalidades e a tentativa de empregar métodos quantitativos na história cultural.

“(...) Dois dos mais destacados historiadores recrutados para a história das mentalidades, no inicio dos anos 60, foram os medievalistas Jacques Le Goff e Georges Duby. Le Goff, por exemplo, publicou um famoso artigo em 1960 sobre “O tempo dos mercadores e o tempo da Igreja na Idade Média” (Le Goff, 1977, 29-42).”
Para concluirmos entendemos que a contribuição dos Annales está na abertura para uma nova discussão, e para novas perguntas que cada dia a sociedade formula.


Resenha sobre livro Escola dos Annales de Peter Burke.
Bibliografia e trechos retirados do livro descrito.

Henrique Rodrigues Soares
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