domingo, 3 de janeiro de 2010

O Historiador e as Fontes Históricas













O Historiador e as Fontes Históricas
Resumo: A presente reflexão visa demonstrar como e grande e diversa as fontes históricas que o historiador dispõe para reconstruir a trama histórica dos indivíduos sociais no tempo e espaço.
O Historiador e o dialogo com o passado
Alguém pode perguntar: como historiador estabelece o contato, dialogo com o passado? Como chegar ate lá, se ele não existe mais? Como o conhecimento do passado e possível?
Tendo em vista que todo conhecimento do passado é "indireto" e, logo, o historiador, por definição, está na impossibilidade de ele próprio constatar os fatos que estuda [2]". Assim, como afirma François Simiand, o conhecimento histórico é "um conhecimento através de vestígios [3]" de marcas perceptíveis aos sentidos deixadas "por um fenômeno em si mesmo impossível de captar" [4]
Diante disso, resta ao historiador à tarefa de tentar reconstituir possíveis existências para as pessoas do passado e os contextos em que estavam mergulhadas, em que elas atuaram produzindo suas formas de vivência que relegaram ao presente.
Assim, temos que pesquisar a os seres humanos tanto do ponto de vista de seu tempo-espaço como os processos que produzem os fatos dentro de um determinado período de tempo. Dessa forma, podemos dizer que a História relaciona-se com o Tempo [5]. E, mais especificamente, ela relaciona-se com o passado visto a partir do presente. Ou, ainda, é o presente, procurando dar um sentido e uma explicação para o passado.
A "pegada humana" ao longo dos tempos, dentro do processo histórico, é, ao mesmo tempo, processo de produção da cultura e uma necessidade de cristalização que se realiza pelo registro. Essa cristalização se dá mediante as fontes [6], os vestígios e as marcas que compõem o patrimônio histórico e é o resultado da ação concreta dos seres humana em um determinado tempo e espaço. Portanto, em sua temporalidade os seres humanos produzem suas marcas culturais e patrimoniais voluntariamente e involuntariamente (traços deixados pelos homens sem a mínima intenção de legar um testemunho à posteridade). Essas pegadas - marcas servem não só para registrar a atuação humana, mas como também para cristalizar o a sua ação, os fatos ou os processos que produziram esses acontecimentos. Neste sentido, Marc Bloch revela que "é quase infinita a diversidade dos testemunhos históricos. Tudo quanto o homem diz ou escreve, tudo quanto fabrica, tudo em que toca, pode e deve informar a seu respeito." [7]. Portanto, Bloch nos diz que e grande a diversidade de fontes históricas de que o historiador pode trabalhar na reconstrução das sociedades passadas. Portanto, tudo que o homem produziu e deixou na história e o objeto do historiador.
Neste ponto de vista, podemos dizer que pesquisar a história é buscar a compreensão dos processos que produziram os fatos que marcaram o tempo e espaço. Isso é possível por que todas as coisas têm história e podemos estudar a história de tudo. Tudo que acontece e que aconteceu é história. A história, portanto, trabalha com o passado, com aquilo que os seres humanos produziram no passado. Assim, o pesquisador, reconstrói a história, mas faz isso no seu presente, pois ele é um estudioso que está em uma sociedade diferente daquela que ele volta seus olhos para pesquisar e apreender suas especificidades. Ademais, tudo tem sua historicidade, e logo o homem sendo protagonista da história, atuando-produzindo e deixando "pegadas", ou utilizando outro termo, suas marcas ao longo de sua trajetória, ai está a gama de fontes que dispusemos para escrever a respeito.


Referencias Bibliográficas
BLOCH, Marc. Introdução à História. Publicações Europa-América, (s/d).
------------------. Apologia da História ou O Ofício de Historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.

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[1] Esta breve reflexão faz parte de um trabalho mais extenso que venho desenvolvendo intitulado: Metodologia com Fontes Periódicas na Pesquisa Histórica
[2] BLOCH, 2002, p. 69.
[3] Ibidem, p. 73.
[4] Ibidem
[5] Ao determos que a História é o estudo do homem no tempo, rompe-se com a idéia de que a História deve examinar apenas e necessariamente as ações do homem já transcorridas: o passado. O que ela estuda na verdade são as ações e transformações humanas (ou permanências) que se desenvolvem ou se estabelecem em um determinado período de tempo, mais longo ou mais curto. Assim, desta maneira, a História é o estudo do Homem no Tempo e no Espaço.
[6] Existem documentos que são dominados fontes primarias e outros, fontes secúndarias. As fontes primárias são testemunhas do passado que se caracteriza por ser contemporânea dos fatos históricos a que se referem. Grosso modo estabelecemos aqui, a tipologia de fontes primarias que são as "pegadas" deixadas na história pela ação dos homens, que o historiador utiliza para reconstruir o passado o mais próximo possível do que aconteceu: fontes escritas: documentos jurídicos (constituições, leis, decretos), sentenças, testamentos, inventários, discursos escritos, cartas, livros de contabilidade, livros de história, autobiografia, diários biográficos, crônicas, poemas, novelas, romances, lendas, mitos, textos de imprensa (jornais e revistas), censos, estatísticas, mapas, gráficos e registros paroquiais ect. Fontes orais: entrevistas, gravações (de entrevistas, por exemplo), lendas contadas ou registradas de relato de viva voz, programas de radio e fitas cassete etc. Fontes materiais: utensílios, mobiliários, roupas, ornamentos (pessoais e coletivos), armas, símbolos, instrumentos de trabalho, construções (templo, casas, sepulturas), esculturas, moedas, restos (de pessoas ou animais mortos), ruínas e nomes de lugar (toponímia) e outras mais. Fontes visuais: pinturas, caricaturas, fotografias, gravuras, filmes, vídeos e programas de televisão, entre outros. No que tange as fontes secundárias, estas são registros que contêm informações sobre os conteúdos históricos resultantes de uma ou mais elaborações realizadas por diferentes pesquisadores. Essas fontes nos chegam por pesquisadores que realizam reconstruções do passado, cujas referencias são de diferentes fontes primarias. Ou seja, são as diversas interpretações que os pesquisadores realizam das fontes primarias. E, o caso dos trabalhos acadêmicos. (Teses, Dissertações).
[7] BLOCH, (s/d).
Fonte: Webartigos.com | Textos e artigos gratuitos, conteúdo livre para reprodução. 1


RENATO CARVALHO
Graduando em História pela Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí - PR. Desenvolve pesquisa sobre metodologia com Fontes Periódicas na Pesquisa Histórica.

4 comentários:

Eduardo Marculino disse...

Seu espaço foi escolhido como BLOG da semana no Historia Viva....se desejar retire o selo no endereço
http://historianovest.blogspot.com/2010/01/blogs-da-semana.html

Parabéns e abraços

justin bieber disse...

oi eu nome e bela vc gosta de historia ou da materia mais e tudo a mesma coisa e uma maneira de si expresar ne?

Henrique Rodrigues Soares disse...

Minha querida, sinta-se a vontade, o espaço é nosso.
Sds!

Sylvio Mário Bazote disse...

Na minha opinião alguns historiadores ainda têm uma visão preconceituosa e elitista sobre o que deve ou não ser usado como uma fonte em pesquisa.
Nos historiadores aqui de Juiz de Fora, principalmente os formados na UFJF, percebe-se desprezo por fontes como a Wikipédia ou a revista Veja, entre outros meios de informação.
Penso que como ponto de partida ou possibilidade, estas fontes – e outras – são válidas. Dá mais trabalho confirmar a veracidade ou confiabilidade das informações, mas sair do lugar comum permite conhecer detalhes e possibilidades diferentes.
Parabéns pela postagem muito bem feita.