segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Civilização do Ocidente Medieval – Jacques Le Goff


O autor nasceu em janeiro de 1924, na cidade de Toulon (França), e é considerado um dos maiores medievalistas do mundo, pertence à velha escola francesa que une história à geografia, tornou-se figura chave da escola dos Annales por ter conseguido integrar à reflexão sobre o espaço e o tempo da dimensão humana. Escreveu diversos livros que se tornaram clássicos. Em 1972, sucede Fernand Braudel na École dês Hautes Études em Sciences Sociales, e nela permanece até 1977, cedendo seu lugar a François Furet.
Atualmente Le Goff dedica-se à orientação de alunos em antropologia histórica medieval, e participa do programa televisivo “Lundis de I’Histoire”, no canal France Culture.

Na introdução do livro Le Goff explica que centralizou seu trabalho na Idade Média Central, isto é, nos séculos 10 a 13 d.C. um momento de escolhas e decisivo para Europa Ocidental. Esse tempo viu nascer à cidade medieval diferente das cidades antigas, o arranque da economia monetária, as inovações tecnológicas que influenciaram o crescimento rural, o artesanato pré-industrial e a construção em larga escala.
A fabricação de relógios e bússolas marca o tempo e a distância. A Igreja exerce sua influência criando uma doutrina nova “o Purgatório”.
Um tempo de violência, fome, temor religioso e lutas sociais.

O começo fala sobre a instalação dos bárbaros, o autor fala dos grupos como Normandos, Lombardos, Visigodos e outros que começam a desestabilizar o Império Romano que começa seu fascelamento apartir do 3°séc., pois as classes mais pobres de Roma prefere o domínio dos bárbaros do que a exploração das classes dominantes romanas, então com isso a resistência é quase uma entrega voluntária a esses novos conquistadores que vivem numa guerra constante sem uma liderança máxima até o inicio do Império Huno de Atila e no séc. 7° o aparecimento do Islã criando uma reviravolta no mapa do ocidente.
É importante ressaltar que toda essa crise criada com a devastação econômica, demográfica e social dado às invasões bárbaras, houve definhamento das cidades e uma ruralização forçada com os pequenos submetidos à servidão aos grandes proprietários e um modelo de hereditariedades de profissões e encorajando aos grandes proprietários a fixar nas suas terras colonos.
A Igreja toma lugar de destaque consolidando o primeiro Papa, tomando parte nos conselheiros dos monarcas, e pregam o fim do mundo e que o homem se apegue as coisas espirituais.
No séc. 8º o Ocidente tem o seu poder unificado por Carlos Magno no Império Carolíngio, são o começo com uma organização germânica validada na fidelidade vassala, nos séc. 9º e 10° os povos do Norte entram no cenário, os Normandos nas Ilhas Britânicas e os povos Vikings que saqueiam os trajetos e algumas cidades. Mais o maior problema deste inicio de organização está no conflito interno pelo poder que é continuo e pelas rivalidades econômicas e étnicas que começam a tomar forma e ficam depois por toda história da Europa. Os séc.11º a 13º viram o crescimento populacional com firmamento da agricultura medieval, construção de pequenos diques e fundação de novas aldeias.
A Cristandade se expandiu no Norte e no Leste apesar do Cisma de 1054 em que a Igreja dividiu o Ocidente do Oriente, países que estavam caminhando para o paganismo reforçaram sua fé no Cristianismo. Começaram também as Cruzadas contra o Islamismo e também as rivalidades nacionais nascentes neste período, que acentuava a hostilidades entre Latinos e Gregos. No inicio as cruzadas eram internas trazendo de volta países como a Espanha que havia se tornado islâmica, e depois sim as cruzadas para Jerusalém numa guerra santa contra o Oriente.
A Igreja teve um papel importantíssimo no desenvolvimento do comércio, mudando a mentalidade greco-romana sobre os comerciantes que eram mal vistos pelos senhores feudais, e também serviu de motivador a abertura de seus tesouros guardados no período anterior, pois estava se vivendo escassez de recursos e falta de investimentos.
As cidades que nasceram na Europa e continuam em destaque são na suas maiorias erguidas na época medieval, às cidades antigas tirando Roma perderam seu poderio político econômico e por volta do séc.12º houve a necessidade do cunho de moedas para atender a demanda do comércio que deixou de ser à base de trocas e que mudou seu itinerário fugindo das rotas terrestres inseguras, sujeitos a todo tipo de perigos para rotas marítimas desenvolvendo assim os portos.
Com o renascimento urbano, a educação desenvolve criando os primeiros centros universitários fora da Igreja, o estudo e o ensino viram um oficio e o livro começa a ser difundido.
Nesse tempo a Igreja enfrenta mais uma crise, os Valdenses que são expulsos por serem os mais críticos, a criação da ordem de Francisco de Assis para silenciar as camadas eclesiásticas contra a riqueza do clero, tudo isso, por causa da popularidade alcançada por este grupo de padres. Outros movimentos são calados nas fogueiras e nos tribunais da Santa Inquisição, derrubando cada vez mais a imagem da Igreja e do Papa. Fora as batalhas contra reis ou regiões que aderiam ao paganismo e o islamismo.
Vale lembrar que as revoluções políticas, econômicas e religiosas tiveram seu nascedouro neste período teocêntrico, em que o homem dormia com o medo da ira divina.
No fim o mundo medieval estava deixando o feudalismo clássico e fortalecendo as monarquias, os estados, as nacionalidades, sabendo que estes povos enfrentaram a peste negra uma epidemia que assolou todo o continente europeu.

Henrique Rodrigues Soares sobre o livro do titulo da Editora EDUSC
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