segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Morte de um Mestre da História Contemporânea




Autor de obras como "A Era das Revoluções" e "A Era dos Extremos" estava internado em hospital para tratar pneumonia. 

O historiador britânico Eric Hobsbawm morreu em Londres aos 95 anos, segundo informação divulgada por sua família nesta segunda-feira.

O intelectual marxista é considerado um dos maiores historiadores do século 20 e escreveu "A Era das Revoluções" , "A Era do Capital" , "A Era dos Impérios" , "A Era dos Extremos" , entre outras obras.

Segundo a AP, a filha do historiador, Julia Hobsbawn, informou que seu pai morreu na madrugada passada. Ele estava internado em um hospital, tratando uma pneumonia.

Vida

Hobsbawm nasceu no dia 9 de julho de 1917 no Egito ainda sob o domínio britânico, e tinha, por isso, nacionalidade britânica.

Ele passou os primeiros anos de sua vida em Viena e Berlim. Sua família mudou-se para ao Reino Unido depois que Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha, em 1933. Hobsbawm casou-se duas vezes, primeiro com Muriel Seaman em 1943 (divorciou-se em 1951) e depois com Marlene Schwarz. Com esta última teve dois filhos, Julia e Andy. Ele também era pai de Joshua, fruto de uma relação anterior
Fonte: IG Noticias.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Arte por Nelson Aharon


A arte varia de acordo com a época e a cultura. Pode ser separada ou não em arte rupestre, como é entendida hoje na civilização ocidental, do artesanato, da ciência, da religião e da técnica no sentido tecnológico. Assim, entre os povos ditos primitivos, a arte, a religião e a ciência estavam juntas na figura do xamã, que era artista (músico, ator, poeta, etc.), sacerdote e médico. Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades.

Este era o sentido que os gregos, na época clássica (século V a.C.), entendiam a arte: não existia a palavra arte no sentido que empregamos hoje, e sim "tekné", da qual originou-se a palavra "técnica" nas línguas neo-latinas. Para eles, havia a arte, ou técnica, de se fazer esculturas, pinturas, sapatos ou navios. Neste sentido, é a acepção ainda hoje usada no termo artes marciais. No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividade artística ou o produto da atividade artística. Tradicionalmente, o termo arte foi utilizado para se referir a qualquer perícia ou maestria, um conceito que terminou durante o período romântico, quando arte passou a ser visto como "uma faculdade especial da mente humana para ser classificada no meio da religião e da ciência".

A arte existe desde que há indícios do ser humano na Terra. Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia-a-dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser (como pode ser visto na literatura) e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem.

Estilo é a forma como a obra artística se mostra, enquanto que Estética é o ramo da Filosofia que explora a arte como fundamento. Uma obra artística só se torna conhecida quando algo a faz ficar diante de um dos sentidos do ser humano. Os avanços tecnológicos contribuem de uma forma colossal para criar acessibilidade entre a pessoa que deseja desfrutar da arte e a própria arte.

A pessoa e a obra se unem então, por diversos meios, como os rádios (para a música), os museus (para pinturas, esculturas e manuscritos), e a televisão, que talvez seja, entre esses itens citados, o que mais capacidade tem para levar a obra artística a um número grande de interessados, por utilizar diversos sentidos (visão, audição) e por utilizar também satélite.

A própria Internet é fonte de transmissão entre a obra e o interessado, com sites (que distribuem E-books e por softwares especializados em conectar o computador do usuário a uma rede com diversos outros computadores. Entretanto, exploradores, comerciantes, vendedores e artistas de público (palhaços, malabaristas, ator, etc.) também costumam apresentar ao público as obras, nos mais diversos lugares, de acordo com suas funções. A arqueologia transmite ideias de outras culturas; a fotografia é uma forma de arte e está acessível por todos os cantos do mundo; e também por almanaques, enciclopédias e volumes em geral é possível conhecer a arte e sua história.

A arte está por todos os cantos, pois não se restringe apenas em uma escultura ou pintura, mas também em música, cinema e dança. O ser que faz arte é definido como o artista. O artista faz arte segundo seus sentimentos, suas vontades, seu conhecimento, suas ideias, sua criatividade e sua imaginação, o que deixa claro que cada obra de arte é uma forma de interpretação da vida.

A inspiração seria o estado de consciência que o artista atinge, no qual vê a percepção, a razão e emoção encontram-se combinados de forma parte para realizar suas melhores obras. Seria o insight de algumas teorias da psicologia. Escultura: Davi, de Michelangelo. Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. Arte é um fenômeno cultural.

Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno. Fotografia Teatro Arte pode ser sinônimo de beleza, ou de uma beleza transcendente. Dessa forma, o termo passa a ter um caráter subjetivo, qualquer coisa pode ser chamada de arte, desde que alguém a considere assim, não precisando ser limitada à produção feita por um artista. Como foi mencionado, a tendência é considerar o termo arte apenas relacionado, diretamente, à produção das artes plásticas.

Os historiadores de arte buscam determinar os períodos que empregam certo estilo estético, denominando-os por 'movimentos artísticos'. A arte registra as ideias e os ideais das culturas e etnias, sendo assim, importante para a compreensão da história do Homem e do mundo. Formas artísticas podem extrapolar a realidade, exagerar coisas aceitas ou simplesmente criar novas formas de se observar a realidade. Em algumas sociedades, as pessoas consideram que a arte pertence à pessoa que a criou. Geralmente consideram que o artista usou o seu talento intrínseco na sua criação. Essa visão (geralmente da maior parte da cultura ocidental) reza que um trabalho artístico é propriedade do artista. Outra maneira de se pensar sobre talento é como se fosse um dom individual do artista.

Os povos judeus, cristãos e muçulmanos possuem esta visão sobre a arte. Outras sociedades consideram que o trabalho artístico pertence à comunidade. O pensamento é levado de acordo com a convicção de que a comunidade deu ao artista o capital social para o seu trabalho. Nessa visão, a sociedade é um coletivo que produz a arte através do artista, que apesar de não possuir a propriedade da arte, é visto com importância para sua concepção.

Existem contradições quanto à honra ou ao gosto pela arte, indicando assim o tipo de moral que a sociedade exerce. Também pode ser definida, mais genericamente, como o campo do conhecimento humano relacionado à criação e crítica de obras que evocam a vivência e interpretação sensorial, emocional e intelectual da vida em todos os seus aspectos.A verdadeira essencia da arte e a do artista poder transformar a realidade de acordo com seus ideais e pensamentos. Uma das características da arte é a dificuldade que se tem em conferir-lhe utilidade. Muitas vezes esta dificuldade em encontrar utilidade para a arte mascara preconceitos contra a arte e os artistas.

O que deve ser lembrado é que a arte não possui utilidade, no sentido pragmatista e imediatista de servir para um fim além dele mesmo. Assim, um quadro não "serve" para outra coisa, como um desenho técnico, como uma planta de engenharia, por exemplo, serve para que se construa uma máquina. Mas isso não quer dizer que a arte não tenha uma função.

A arte possui a função transcendente, ou seja, manchas de tinta sobre uma tela ou palavras escritas sobre um papel simbolizam estados de consciência humana, abrangendo percepção, emoção e razão (segundo Charles S. Peirce, fundador da semiótica). Essa seria a principal função da arte. A arte também é usada por terapeutas, psicoterapeutas e psicólogos clínicos como terapia. Nise da Silveira foi uma importante psiquiatra brasileira, aluna de Carl Jung, que utilizou com sucesso em seus pacientes, a partir de 1944, a arte a partir da terapia ocupacional. Graças a este trabalho, fundou o Museu do Inconsciente, em 1952, no Rio de Janeiro. Paul McCartney, ex-Beatle, diz que a música é capaz de curar. Ele afirmou que em uma de suas visitas a um hospital que realiza tratatamento de autistas, estes respondiam quando se dedilhava algo no violão. Sabe-se que as pessoas vítimas de autismo respondem muito pouco a estímulos externos, de acordo com o grau de autismo.

A arte pode trazer indícios sobre a vida, a História e os costumes de um povo, inclusive dos povos e nações já extintos. Assim, conhecemos várias civilizações por meio de sua arte, como a egípcia, grega antiga e muitas outras.

A História da Arte é a disciplina que estuda as manifestações artísticas da humanidade através dos séculos. Grafite e outros tipos de arte de rua são gráficos e imagens pintadas por spray. São vistos pelo público em paredes de edifícios, em ônibus, trens, pontes e, normalmente sem permissão do governo. Este tipo de arte faz parte de diversas culturas juvenis. Nos EUA, na cultura hip-hop, são comumemente usadas para a expressão de opiniões sobre política, e outras vezes trazem mensagens de paz, de amor e união. A arte, como qualquer outra manifestação cultural humana, pode ser utilizada para a coesão social, reafirmando valores, ou os criticando, de acordo com a civilização. Assim, a arte é utilizada como instrumento de moralização, doutrinação política e ideológica, assim como ferramenta na educação em vários campos do conhecimento, desde o ensino básico até o treinamento de funcionários em empresas. Segundo a sistematização de conhecimento artístico e fisiológico sobre o funcionamento do cérebro realizado por Betty Edwards, principalmente a partir de sua obra Desenhando com o lado direito do cérebro, as habilidades artísticas são regidas pelo lado direito do cérebro, e a lógica e outras habilidades ligadas à racionalidade são regidas pelo lado esquerdo.

A utilização da arte como ferramenta pedagógica seria uma forma de utilizar os dois lados do cérebro, de forma complementar para um aprendizado mais eficaz. As obras de arte também podem fazer críticas a uma sociedade. Les Misérables, de Victor Hugo, é um exemplo de obra literária que critica a sociedade francesa do início do século XIX. A obra do pintor espanhol Goya, Os fuzilamentos de 3 de maio é outro exemplo disso. A interpretação da obra depende do observador. Portanto, inversamente a própria subjetividade da arte demonstra a sua importância no sentido de facilitar a troca e discussão de ideias rivais, ou para prestar um contexto social em que diferentes grupos de pessoas possam reunir e misturar-se.

A área da Arte Visual é extremamente ampla. Abrange qualquer forma de representação visual, ou seja, cor e forma. Outras formas visuais dramáticas costumam ser incluídas em outras categorias, como teatro, música ou ópera, apesar de não existir fronteira rígida. É o caso da arte corporal e da arte interativa ou mesmo do Cinema e do Vídeo-arte, inter alia entre outros. As artes que normalmente lidam com a visão como o seu meio principal de apreciação costumam ser chamadas de artes visuais. Consideram-se artes visuais as seguintes: pintura, desenho, gravura,fotografia e cinema. Além dessas, são consideradas ainda como artes visuais: a escultura, a instalação, a arquitetura, a novela, o web design, a moda, a decoração e o paisagismo.


Nelson Aharon - Poeta e Artista Plástico.


Para começarmos a falar de História da Arte, uma definição de um artista.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sobre nossa Independência - Parte 9 - Final


Conclusão:

O que vemos o tempo todo é uma luta de proprietários, comerciantes, isto é, uma elite que reinvidica poder político em suas mãos.
Falam de liberalismo ao seu modo, são liberais a favor da escravidão, dos direitos exclusivistas. Os movimentos sempre pensavam localmente e diante de objetivos
momentâneos. Não havia como alguns pregam um sentimento revolucionário que bebia
das fontes francesas. Conforme citado por Emilia Viotti.

“Embora seja evidente a influencia das idéias revolucionárias européias nos movimentos ocorridos no país, não se deve superestimar sua importância. Analisando-se os movimentos percebe-se, de imediato, sua pobreza ideológica. Inspiram-se os revolucionários vagamente ns obras dos autores europeus, conhecidas apenas de um pequeno grupo de letrados pertencentes às categorias mais representativas da sociedade: funcionários, fazendeiros, comerciantes, médicos, advogados, que as lêem frequentemente mais com entusiasmo do que com espírito critico. A maioria da população, inculta e atrasada, não chegava a tomar conhecimento das novas doutrinas.” (Brasil em Perspectiva).

Um nacionalismo inexistente de uma pátria que até hoje procura sua identidade política, e uma democracia para que todo o povo tenha suas escolhas, e não oligarquias patriarcais escolham por todos nós.




Bibliografia.
CAMPOS, Flávio de; MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da História. 1.ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005.
COSTA, Emilia Viotti. Da Monarquia à República
LINHARES, Maria Yedda (organizadora). História Geral do Brasil. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 1990.

TEIXEIRA, Francisco M. P.; DANTAS, José. História do Brasil da Colônia à República. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1979.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sobre nossa Independência - parte 8


Independência

Em junho de 1822, Dom Pedro convoca uma assembléia constituinte que seria formada por eleitos de cada província, só que existe divergências como será a forma de votos diretos ou indiretos, claro que acaba sendo indireto com padrões bem exclusivistas, para eliminar expressão popular.
No inicio de agosto são feito dois manifestos em que se ainda fala numa intenção de manter o Império numa monarquia dual, sendo que no segundo uma independência política, mas unida a Portugal. Enquanto isso, José Bonifácio construía amizades com nações para solidificar a aceitação da Independência.
Diante da intransigente posição das Cortes em Lisboa que em momento algum aceitou acordo, sabendo por ordem oficial de Portugal a destituir o governo provisório do Brasil. Não teve outra escolha, no dia 07 de setembro de 1822 proclamou a Independência do Brasil.
O que para muitos foi o ápice, na realidade era o inicio de uma revolução oligárquica dos grupos brasileiros que não aceitariam os moldes como foram formado o governo de Dom Pedro I.
Um governo com braço político e militar português, com privilégios aos patrícios do Imperador que incomodava a elite brasileira.
Apartí daí começa a crise entre o Dom Pedro I e a Assembléia Constituinte, que no dia 12 de novembro de 1823 cerca o prédio e destitui a Assembléia.
Logo após, manda redigir uma Constituição que atenda suas intenções e jura sobre ela.
Em 1826, o Imperador abre novamente a Assembléia Constituinte que volta a confrontos contra suas decisões, até que ele abdica o trono em favor de seu filho. O que para muitos completa o processo de Independência do Brasil.


Henrique Rodrigues Soares - História do Brasil

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre nossa Independência - parte 7


O dia do Fico

As lideranças paulista com as fluminenses, e principalmente os portugueses que aqui ficaram era grande o risco de uma independência de grupos que cortariam todos os privilégios dos que dominavam neste momento, até porque havia algumas províncias que buscavam uma republica particular, havia o medo da anarquia comandada pelos pobres e escravos que eram a maior parte da população.
Para o Príncipe era chance de ser rei de fato, já que em Portugal teria que se submeterem as Cortes, enquanto no Brasil seria líder de um novo país monárquico, como se refere o historiador Hamilton de Mattos Monteiro:

“As lideranças paulistas articulam, ao lado do prestigioso Senado da Câmara do Rio de Janeiro, a permanência do príncipe no Brasil, em aberta rebeldia contra Lisboa. Para paulistas e
fluminenses era grande o risco de desagregação do Brasil e de vitória das forças locais, particularmente em Pernambuco e no Sul, sob a égide do republicanismo. Para os grandes
fazendeiros e comerciantes, tais forças, emanadas da pequena burguesia e do povo, representavam a anarquia, a possibilidade de se extinguir a escravidão e a luta aberta contra os portugueses radicados aqui. Assim, uma monarquia grande e forte, ainda mais representando a continuidade, sob o cetro dos Braganças, era a mais importante garantia da ‘ordem’.” (História Geral do Brasil – pág. 133).

De imediato através de uma petição pública, o princípe-regente responde com o Fico, destitui o gabinete constituído por seu pai, e coloca o paulista José Bonifácio ( um dos lideres de toda esta trama) presidindo o novo gabinete, e começa a briga pela monarquia brasileira autônoma de Portugal. Na segunda fase uma luta contra fragmentação deste reino em províncias que aderiam ainda aos portugueses, e outras que buscavam caminhos próprios republicanos.


Henrique Rodrigues Soares

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Historicismo versus Positivismo - Parte 1



















O Positivismo teve como propósito transformar a História em uma ciência. A partir disso, os positivistas procuravam uma objetividade nos métodos utilizados para analisar os fatos históricos, que para eles deviam ser sempre buscados nos documentos escritos e legitimados pelo Estado.

Para os positivistas, os métodos utilizados nas ciências da natureza poderiam ser aplicados para uma análise social. Contudo, o historiador deveria manter certa imparcialidade diante seu objeto de estudo, sendo totalmente neutro para que assim chegasse a uma verdade histórica objetiva. Os positivistas faziam apenas uma análise geral para aquele fato, sem entrar em detalhes, descrevendo apenas o que o documento “fala por si só”, ou seja, ele descrevia apenas aquilo que estava escrito, sem emitir juízo de valor, sendo totalmente imparcial e objetivo. Para os historiadores positivistas, as análises não poderiam ser desconstruídas, pois os fatos são verdades absolutas.

Já a corrente historicista é uma corrente contrária ao positivismo, pois nela o historiador tem um contato direto com seu objeto de estudo, não se afastando do mesmo, pois ambos se “refletem entre si”.

A partir de tais regras, notamos que o historicismo não busca fazer uma análise objetiva do fato histórico, pois tal fato é construído e reconstruído a partir de diferentes análises. Na concepção historicista o fato está preso em seu tempo e a análise é factual, não sendo mais uma “linha do tempo”, onde os fatos são postos cronologicamente, mas podendo-se analisar certo “ponto” histórico, não sendo necessariamente linear.

Portanto, os tempos históricos e cronológicos do historicismo “andam juntos”, pois esta é uma tentativa de ruptura com o positivismo.


Henrique Rodrigues Soares.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sobre nossa Independência - Parte 6














Revolução do Porto
O mais interessante que esta Revolução Constitucionalista em Portugal que foi vital para o caminho da Independência do Brasil.
A mudança de Lisboa para o Rio de Janeiro da família real, que no inicio foi uma solução, agora havia se tornado um problema, já que até pela posição geográfica o Rio de Janeiro era o centro do Império Português.
Perto da África, com livre mercado com ingleses, com as províncias ligados ao Rio pela centralidade da realeza, Portugal vai ficando como adjacente do Brasil.
Na realidade Portugal estava acordando pelo efeito desta inversão brasileira, até porque havia sempre vivido da exploração colonial, e agora tinha ficado a mercê de uma economia local muito frágil para os padrões europeus.
Com idéias revolucionárias do fim do absolutismo que já havia acontecido em todo continente, este movimento da cidade de Porto estabeleceu a convocação de uma assembléia constituinte sob o nome Cortes para cobrar e pressionar o rei a sua volta e o retorno dos monopólios portugueses.
A demora da decisão de Dom João VI em voltar, pois chegou a pensar em enviar seu filho, o príncipe Dom Pedro, só aumentava a revolta do povo português contra a monarquia, e a angustia em frente à miséria que assolava ao Reino Português.
A Revolução vencia sua primeira exigência, o rei retornava contra sua própria vontade no dia 26 de abril de 1821 com parte da corte, pois deixa seu filho como príncipe-regente do Brasil.
Porém a Assembléia das Cortes exigia também mudanças econômicas e políticas que subordinassem o Brasil ao antigo regime colonial. Foi retirado o poder do governo regencial de Dom Pedro no Brasil, extinguidos todos os tribunais e departamentos governamentais no Rio de Janeiro. Foi enviadas tropas para o Rio de Janeiro e Pernambuco para submeter o Príncipe, e também por serem os maiores centros ideais de independência.
Ao ver que o Rio de Janeiro e algumas províncias se rebelaram contra seus decretos, as Cortes tenta dialogar com cada província separada. Pernambuco e Ceará não aceitavam mais intervenções portuguesas, entretanto, os pernambucanos se mostravam querer uma independência própria. Minas Gerais hesitava no mesmo propósito, enquanto São Paulo se aliava ao Rio de Janeiro dando sustentação ao Príncipe-regente. No restante estavam subordinados as Cortes.


Henrique Rodrigues Soares

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mito, Memória e História - parte 2


















Tucídides sustenta seu ponto de vista demoradamente, e entre as personagens "históricas" que ele apresenta em sua introdução aparecem Heleno, filho de Deucalião (o ancestral de cujo nome se originou o dos helenos), Minos, rei de Creta, e Agamenon e Pélops. Os detalhes são vagos, afirma ele, tanto sobre o passado remoto quanto sobre o período que antecedeu a Guerra do Peloponeso — um ponto em comum bastante significativo —, mas os esboços gerais são claros e confiáveis. Homero exagerou, pois, sendo poeta, empregou adequadamente a licença poética, e Tucídides, ao contrário da maioria vulgar, reconheceu isso em sua introdução. O próprio Tucídides alerta que em seu trabalho não atenderá aos anseios por exageros e adornos poéticos da parte dos leitores; seu relato dos fatos será objetivo. Mas nem Tucídides, Platão, Aristóteles ou qualquer outro chegaram a mostrar-se totalmente céticos quanto ao que um escritor moderno poderia chamar de "semente histórica do épico", e certamente não o rejeitaram por completo.
Contudo, o que quer que tenha sido, o épico não era história, e sim uma narrativa, detalhada e precisa, com descrições minuciosas de guerras, viagens marítimas, banquetes, funerais e sacrifícios, todos muito reais e vívidos; ele podia conter inclusive algumas sementes encobertas do fato histórico — mas não era história. Como todo mito, era atemporal. As datas e um escalonamento coerente de datas são tão essenciais para a história quanto a medição exata o é para a física. O mito também sugeria fatos concretos, mas estes eram completamente isolados: não tinham ligação nem com os acontecimentos anteriores nem com os posteriores. A Ilíada começa com a cólera de Aquiles por causa de uma afronta à sua honra e termina com a morte de Heitor. A Odisséia, como cenário para as viagens de Ulisses, menciona o término da Guerra de Tróia e o retorno de alguns dos heróis. Mas tudo isso acontecia no estilo "era uma vez", surgindo do nada(o rapto de Helena é meramente outro fato isolado, totalmente a-histórico sem qualquer sentido significativo) e levando a nada. Mesmo dentro da narrativa, o relato é fundamentalmente atemporal, apesar de muitos números (de dias ou anos) serem determinados. "Esses números, em sua maioria, referem-se tipicamente a todas quantidades possíveis, e em geral não estão ligados entre si; não servem de base para cálculos ou sincronizações. Simplesmente indicam, de modo amplo, uma magnitude ou escala, e em sua pseudoprecisão estilizada simbolizam uma longa duração. Na realidade, não há interesse na cronologia, quer relativa quer absoluta." Muitos anos depois, os autores de tragédias mantiveram a mesma indiferença: Édipo, Ifigênia, Orestes, todos fizeram ou passaram por coisas que se acreditava serem fatos históricos, mas os eventos flutuavam vagamente no passado distante, desvinculados, em termos de tempo ou padrão, de outros acontecimentos.
A atemporalidade reflete-se também nas características individuais. A morte é um dos principais tópicos de suas vidas (bem como a honra, da qual é inseparável), e o destino é freqüentemente o mais importante poder propulsor. Nesse sentido eles vivem no tempo, e tão somente nesse sentido. A nenhum leitor da Odisséia deve ter escapado que quando o herói volta, depois de vinte anos, ele e Penélope são exatamente o que haviam sido meia geração antes. Mas Samuel Butler certamente não se deu conta disso, quando escreveu: "Não há nenhum caso de amor na Odisséia, exceto a volta de um homem casado, calvo e idoso, para a esposa idosa e o filho adulto, depois de uma ausência de vinte anos, e furioso por terem-lhe rou¬bado tanto dinheiro nesse meio-tempo. Dificilmente, porém, poderíamos chamar isso de caso de amor; quando muito, não passa de domesticidade."
O poeta não diz que Ulisses estava calvo e velho; Butler é quem o diz, e, provavelmente, foi isso que ele chamou de ler os versos homéricos "com inteligência": lendo-lhes as "entrelinhas". Um Ulisses que não estivesse calvo e velho depois de vinte anos seria contrário ao senso comum e à "inteligência". O erro - e Samuel Butler é apenas um bode expiatório para uma prática freqüente - está em aplicar o pensamento histórico moderno, à guisa de senso comum, a um relato mítico, a-histórico. Esposas e maridos históricos envelhecem, mas a verdade é que nem Ulisses nem Penélope mudaram em nada; não evoluíram nem degeneraram, assim como nenhuma outra personagem do poema épico. Tais homens e mulheres não podem ser personagens da história; são excessivamente simples, fechados em si mesmos, rígidos e estáveis, excessivamente desvinculados de seus contextos. São atemporais como o próprio poema.
Talvez o exemplo mais decisivo não venha de Homero, mas de Hesíodo, que viveu aproximadamente na mesma época*. A introdução de Os Trabalhos e os Dias contém um dos mais famosos relatos primitivistas, a narrativa do declínio do homem da idade de ouro do passado em vários estágios, cada um simbolizado por outro metal: ao ouro sucede-se a prata, em seguida o bronze ou o cobre, e finalmente o ferro (a era presente). Mas a visão de Hesíodo não é de degeneração progressiva, de evolução ao contrário. Cada raça humana (Hesíodo fala de raças, genê, não de idades) não evolui até
a seguinte; ela é destruída e substituída por uma nova criação. Nenhuma das raças existe nem no tempo nem no espaço. As raças humanas são atemporais como a Guerra de Tróia: tanto em relação ao futuro quanto ao passado. E assim Hesíodo pode lamentar: "eu não queria estar entre os homens da quinta geração, e sim ter morrido antes ou nascido depois" (versos 174-75)12.
É possível que o mito das quatro idades ou raças do metal tenha se originado no Oriente, sendo helenizado por Hesíodo. Mas houve também uma quinta idade ou raça, certamente grega do começo ao fim: a idade dos heróis inseridos entre o bronze e o ferro. "Mas quando a terra cobriu também essa geração [bronze], Zeus, o filho de Cronos, criou mais outra, a quarta, sobre a terra fecunda, que era mais nobre e justa, uma raça semelhante a deus, de homens-heróis que são chamados de semideuses, a raça que antecedeu a nossa, por todo o vasto mundo." Essa colcha de retalhos era inevitável, pois os mitos dos heróis estavam tão arraigados na mente e eram tão indispensáveis que não podiam ser deixados de lado. A colcha de retalhos é a regra no mito, e não causa problemas. Só os que têm uma mente voltada para a história é que vêem os pontos rústicos e as costuras defeituosas, e sentem-se incomodados com isso, como é evidente em He-ródoto. Mas Hesíodo não tinha uma mente voltada para a história. De um lado estavam as quatro raças e, de outro, a raça dos heróis. Estes eram os dados e a tarefa do poeta consistia em coligi-los. Ele o fez do modo mais fácil possível, graças à total ausência do elemento tempo. Não havia problemas cronológicos, nem datas para ser sincronizadas, nem evolução para ser acompanhada ou explicada. A raça de heróis não tinha começo na história: ela simplesmente foi feita por Zeus. E também não tinha fim, não sofrera transição para o estágio seguinte, o contemporâneo. Alguns dos heróis foram destruídos diante dos portões de Tebas e na Guerra de Tróia. "Mas, para os outros, o pai Zeus, filho de Cronos, deu vida e um lar separados dos homens, obrigando-os a morar nos confins do mundo. E, imunes à tristeza, vivem eles nas ilhas dos bem-aventurados ao longo da costa do profundo e revolto oceano."
Existe, naturalmente, um sentido no qual o mito das idades não é propriamente um mito. Ele é abstraio demais.


Trecho do livro Uso e Abuso da História de M. I. Finley

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sobre nossa Independência - Parte 5


















A chegada da Corte.
Com a pressão de uma invasão francesa as portas de Portugal, a Corte se sente obrigada para uma transferência para o Brasil, com proteção dos aliados ingleses.
Então em 1808 começa a se construir a condição favorável para futura Independência com as primeiras atitudes do príncipe regente Dom João VI, em abrir os portos a todas as nações, fazendo tratados comerciais com ingleses que depois se tornaria um dos pilares do interesse britânico em intervir afavor dos brasileiros.
Dom João VI trouxe uma infra-estrutura, e construindo o que faltava para que a cidade do Rio de Janeiro estivesse em condições de ser capital administrativa da realeza portuguesa, como relata o historiador Ciro Flamarion Cardoso:

“Um verdadeiro aparelho de estado e um corpo diplomático instalaram-se no Rio. E em 16 de dezembro de 1815, o Brasil passou à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarve. Assim, a ex-capital colonial tornara-se sede de ministérios, secretarias, tribunais, repartições públicas, de um Conselho de Estado, outro de Fazenda etc. E foi no Rio de Janeiro que, morta a rainha, o até então príncipe-regente foi aclamado, em 1818, como rei João VI.” (História Geral do Brasil – pág.124).

O Rio de Janeiro foi a cidade que experimentou as maiores transformações, sua população teve um aumento de quase 50%, fora as manufaturas até por causa do alto crescimento demográfico. Houve também na Bahia, o primeiro estabelecimento de curso superior, teve inicio a exploração de ferro em Minas Gerais e em São Paulo.
Apesar de tudo isso havia um grande descontentamento com privilégios que portugueses recebiam em todas suas atividades, tanto que nesse período vemos nascer a Revolução Pernambucana da qual já nos referimos.

“(...) O afluxo de comerciantes e funcionários lusos foi intenso nos anos que se seguiram à instalação do governo lusitano no Rio de Janeiro, cidade que começou a ser percebida como “portuguesa” por excelência pelos habitantes de outras partes do Brasil. A xenofobia esteve presente na revolução que começou no Recife em 1817, chefiada de inicio por um comerciante liberal e logo contando com o apoio de militares,
funcionários, membros do clero e proprietários.” (História Geral do Brasil – pág. 125).


Henrique Rodrigues Soares

domingo, 7 de novembro de 2010

Sobre nossa Independência - Parte 4
















Como que é esse Nacionalismo?
Todos os movimentos anteriores a Independência sempre foram locais, e apenas assumindo quando muito as regiões mais próximas, como no caso da Revolução Pernambucana, ajuntaram-se as províncias do Rio grande do Norte, Paraíba e Ceará.
Não existe ideal nacionalista, não existe clamor por uma pátria, mas sim por uma guerra de interesses comerciais. Existe sim, um antiportuguesismo generalizado.
Para negros e mestiços, é uma luta contra os brancos, é a busca da luta pela igualdade de oportunidades e direitos, e para os fazendeiros, comerciantes, a alta classe era garantia da ordem e seus privilégios.
Apartir do país independente fica notório que tudo fica do mesmo jeito nas questões de distribuição econômica e nas estruturas da sociedade, isto é, vitória da elite.
Ressalto que no período da maioria das rebeliões o que temos hoje como espaço brasileiro nem existia, pois tínhamos o Brasil e o estado do Grão Pará e Maranhão.
Outro fator preponderante é que a população maior que era os mais pobres, não tinha conhecimento dos acontecimentos, e muito menos conhecimento dos ideais libertários franceses. Não havia comunicação adequada entre as regiões, nem estradas em quantidade ou qualidade que torna-se isso viável.


Henrique Rodrigues Soares