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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O mundo antigo - economia e sociedade


























Resumo do Ocidente Antigo comercialmente

O tema do livro é economia e sociedade como se refere o seu título, abrangendo um período aproximadamente do século X a.C. ao V d.C., falando da civilização greco-romana, isto é , a Grécia propriamente dita e a Península Itálica.
Falando de Grécia Antiga foca-se normalmente nas cidades-estados com Atenas e Esparta, mas a autora lembra bem que esta parte é o apogeu desta civilização denominado era clássica. O que temos de documentos disponíveis é basicamente sobre Atenas, e a dificuldade está na fragmentação ou na falta de unidade política até por causa da geografia local. Cada cidade tinha seu ritmo próprio.
Ela caminha pela História desde os micênicos, a era Homérica, através dos poemas Ilíada e a Odisséia, que deixam informações de uma estrutura familiar chamada de OIKOS que eram formados por um chefe guerreiro, os outros da família e também pelos servidores, escravos; os bens imóveis: a terra e as casas; e os bens móveis: ferramentas, armas, gado e etc, dos quais dependia a sobrevivência dos grupos.
Eram muito comuns os OIKOS mais próximos se ajuntarem para assaltar localidades roubando lhes os bens e tomando mulheres e crianças como escravos. A movimentação econômica sobrevivia de pilhagem e saques.
Neste período havia os escravos privilegiados que tinham a confiança de seus senhores, e acima disso apesar da situação de ser propriedade de outros ele possuía a proteção do seu senhor.
Pior situação era o Teta que apesar de ser um homem livre não tinha posses e não tinha proteção de ninguém e trabalhava por seu próprio sustento, vagando sem provisões nem abrigo certo.
Havia também os Demiurgos que eram artesões que apesar de não terem posses, tinham uma posição privilegiada por causa da sua especialização, como médicos, profeta, arquiteto e outros.
O grego nutria sentimento contraditório pelo trabalho, admirando apenas os trabalhos habilidosos. Neste patamar de sociedade o poder estava nas mãos dos grandes proprietários de OIKOs, que formavam uma aristrocacia fechada e reforçando sua união com laços de parentesco.
Cada OIKO destes eram independentes, pois o comércio neste período ainda era mal visto, então com isso produziam de tudo, pois o que faltava era trazido na forma de pilhagem ou saque.
Foi só no período Arcaico que começou esta visão de cidades poles se consolidando pelo resolver ‘viver junto’, uma noção de cidadão participante, membro integrante da comunidade, a noção de escravo mercadoria e do estrangeiro. As leis são codificadas, o cidadão vai deixando o campo para participar da política, todos estes movimentos acontecem através de dificuldades e tensões, sendo obtidas estas transformações com grandes esforços e conflitos. Também devemos salientar que a criação destas cidades poles deve-se a geografia local de montanhas e vales e pela dificuldade de comunicação.
Os grandes proprietários forma ficando mais ricos e poderosos emprestando aos mais pobres em trocas de parte de suas colheitas e depois dos que não conseguiam pagar, a tomada de suas terras ou até assumir a posição de escravo.
Com esse quadro grave começou um movimento de colonizações de grupos que a única saída encontrada era sair juntos a tomar outras terras levando seus costumes e comercializando com outros povos e os escravizando. Essas colônias são chamadas apoikia e o emporion que tinham formas diferentes de se estabelecerem.
Quando a crise agrária em Atenas chegou ao ponto extremo, foi escolhido Sólon que empreendeu uma série de reformas, basicamente, a proibição da escravidão por dívidas para os atenienses, acabando com os hectomoro; eliminação das dividas existentes e retorno à pátria e dividiu em quatro categorias os cidadões: pentakosiomédimnoi, hippeis, zeugitai e os tetas.
Vale ressaltar que esta divisão é de caráter econômico e não de nascença, e também começa a criar-se o aparato militar. Depois de Sólon que criou a noção de comunidade e fortaleceu os pequenos camponeses em romper com a aristrocacia, veio Psístrato (560-628) que criou o crédito agrícola, distribuiu aos camponeses as terras confiscadas e favoreceu aos cultos populares. Logo, após Clístenes criou uma constituição democrática solidificando assim o poder comunitário.
Na época clássica Atenas criou três categorias de indivíduos: os cidadões atenienses que tinham todos os direitos possíveis, os metecos que eram livres, mas não podiam ter patrimônio e nem possuíam direitos, e os escravos que eram patrimônio dos seus donos, apesar de que na sociedade atenienses ser um escravo ás vezes era melhor do que ser um meteco que também dependia da proteção de um cidadão ateniense. Com o tempo viu-se irromper várias crises e conflitos entre estas classes e até mesmo dentro delas, houve novas reformas, mas não impediu o declínio da Grécia Antiga.
A Roma Antiga segue o mesmo inicio dos gregos, sendo que uma das diferenças mais latentes é enquanto os gregos havia muitas cidades polis, os romanos centralizaram tudo numa única cidade.
A organização social romana dos primeiros tempos vem de um possível antepassado comum que no lugar de oikos tínhamos os GENS com seus pater famílias (pai de famílias) com os mesmos poderes dos proprietários dos oikos. Estes GENS tinham as clientelas que auxiliavam nas guerras e financeiramente enquanto o patrono representava esta clientela nos tribunais.
Foi na República que se constitui o Senado e a divisão entre patrícios e plebeus, a realeza etrusca foi derrubada por causa da tirania de Tarquínio e as oligarquias tomaram poder. O Estado romano era agrícola e foi com as conquistas militares que se criou ager publicus, denominação as propriedades que ficaram nas mãos do Estado e ele cedia ou alugava conforme fosse sua conveniência. Neste tempo diminuem-se os pequenos proprietários, a cena rural era dominada pelos grandes que incorporavam aos seus domínios até o ager publicus, o sistema agrícola visava à auto-suficiência e o comércio urbano.
No campo ou na cidade homens livres como escravos trabalhavam, a cidade era apenas uma extensão do campo, no fim da República houve um grande desenvolvimento da pecuária e começou o latifúndio de terras.
A escravidão que cresceu muito com as conquistas territoriais romanas foi tomando todo espaço na vida diária, existia uma diferença grande entre ser um escravo na cidade e ser um escravo rural que muitas vezes vivia vida quase subhumana, neste espaço de tempo nasceu as grandes revoltas dos escravos rurais que abalaram a República. Foi acentuado também o crescimento de desocupados pela cidade, pessoas livres que perderam suas propriedades, e isso refletia até no alistamento para as guerras, pois sua posição na hierarquia dependia muito do seu poder econômico.
Com a chegada do Império houve vários conflitos pelo poder dentro do próprio Senado, soldados eram fiéis aos seus Generais, então Augusto para acalmar as tensões fez algumas reformas como: criar um exército profissional, liberar os camponeses da guerra, criar fiscais de tributos do Estado e revitalizar o Senado com uma participação maior das outras cidades que rodeavam Roma.
Augusto criou um sistema de comunicação e a urbanizou todas as cidades próximas, então Roma passou por um período de paz.
Depois de Augusto os outros Imperadores continuaram as reformas urbanas criando rede de água e esgoto e a construção de grandes edifícios e crescendo a máquina estatal, e apesar da urbanização, o crescimento do comércio, das manufaturas, a cidade continuava uma extensão do campo, pois aqueles que detinham toda riqueza compravam mais e mais propriedades rurais e não investiam em outras possibilidades.

Pesquisando esses dois povos que influenciaram muito ocidente que vemos hoje, podemos perceber que apesar da busca de realeza, poderio militar, conquistas territoriais, o que vemos são sociedades agrícolas, escravazistas que se sustentaram durante anos nestes dois pilares.


Resenha sobre livro " O mundo antigo - economia e sociedade - Coleção Tudo é História.
Autora: Maria Beatriz B. Florenzano  -  Editora Brasiliense.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tradição oral e história oral: revendo algumas questões.
















Começamos pela importância da tradição oral indígena para documentar tempos históricos onde não existem documentos escritos, pelo menos da parte dos indígenas.
Cada vez mais tem sido exigido pelos povos indígenas ser reavaliados a história das relações entre nativos e brancos, pois na sua visão está incorreto suas imagens e suas representações serem guiados pelo outro lado.
Os povos indígenas acreditam que a repetição oral de suas histórias será mais bem entendida, diferente do meio acadêmico que escrutinam suas fontes. O desafio está em conciliar os dois lados.


Abordagens históricas à análise da tradição oral.
Tradição oral – Bens materiais que ficaram do passado, ou outro vezes, o nome do processo pelo qual a informação é levada de geração a geração.
História oral – Método de pesquisa baseado em entrevistas de uma testemunha ocular do fato histórico.
Algumas abordagens:
1) No século XIX, os folcloristas europeus consideravam os relatos orais como coisas isoladas para colecionar.
2) Nessa formula surge com grupos de interesse que se apropriam de tradições indígenas, dizendo encontrar nelas espiritualidade ou conhecimento natural da ecologia.
Nas duas abordagens espera-se que problemas do estado moderno recebem respostas convenientes para os estados modernos vindo dos indígenas.


Apesar de alguns acadêmicos do século XIX se preocupar com o contexto social em que a tradição oral ocorre, contudo, interessavam pelo discurso do presente mais do que passado.
Em meados do século XX, os estruturalistas influenciados por Claude Lévi-Strauss que a tradição oral é expressões da mente humana, nada tem a ver com presente ou passado. São simbolicamente narrativas que atuam para tentar resolverem questões do
comportamento social que não podem ser resolvidas por causa de sua complexidade, isto é, não tem nada de real, pois a realidade está em nível mais profundo.
Outra estrutura deste século XX vincula a tradição oral aos movimentos políticos que usaram como interesse para acender o nacionalismo. Buscando reconstituir herança cultural perdida para unir a população por causa de suas origens. É usada como exemplo a Alemanha que esse nacionalismo floresceu unindo estados dispersos, e a China que no momento oportuno legitimou rebeliões contra o Império e depois foi sufocada pelo novo estado que fora criado.


Abordagens atuais á análise da tradição oral.
Atualmente a tradição oral é estudada sua formação como seu posicionamento, e pode ser vista como transmissões de conhecimentos. Não se pode comparar com a pesquisa acadêmica, pois diante de uma evidencia legitima pode possuir significados diferentes.
A história oral sobre o passado que já foi considerada limitada pelo seu caráter subjetivo, hoje se tornou uma virtude para entender os processos históricos através da vida de uma pessoa.
Neste entendimento temos duas abordagens:
1) Um focaliza a história social, a vida cotidiana e as contradições das relações de poder.
2) A outra se preocupa com a formação das narrativas e os seus meios usados para firmar seu discurso.


Vamos para alguns exemplos de observações em quatro contextos culturais:
1) Renato Rosaldo começou seu trabalho na Filipinas nos anos 70, pensando reconstruir a história desse povo usando fontes orais. Mas uma de suas contribuições foi demonstrar que pode ser prejudicada nossa capacidade de escutar o que está sendo dito. Segundo ele é um erro equiparar os depoimentos orais com documentos escritos, pois os depoimentos orais devem ser ouvidos no seu contexto. A advertência de Rosaldo é para que se estude o texto e não olhe através dele, em torno dele ou por trás dele.
2) Na Nova Zelândia, a historiadora Judith Binney resolveu comparar história dos maoris com os textos escritos dos pakehas, e sua maior conclusão que não há como acabar com as contradições entre história oral e escrita.
3) Trabalhando na África Oriental, David Cohen, verificou que deve haver um cuidado para não afirmar uma história oral, porque é inevitável o privilégio de classes ou clãs mais fortes, ou cujas tradições se assemelham mais as nossas. Fala também da memória que para alguns é mais escassa.
4) No fim dos anos 80 os chefes de algumas tribos decidiram defender seus direitos de terras na Suprema Corte de um mundo codificado com suas tradições orais. O juiz canadense negou valor da história oral como evidencia e se prendeu ao que havia de escrito para sua sentença.
O ponto em comum dos quatro exemplos é que em lugares diferentes a história oral tem peso diferente para suas sociedades.
Também devemos ser criteriosos sobre as tentativas de codificar essa história oral.


Instrução etnográfica: para onde nos conduz?
A tradição oral complica nossas perguntas quando olhamos para o discurso acadêmico, como ocidentais ficam perdidos diante de diferentes de tipos de evidencias para recriarmos o passado.
Quanto às questões indígenas ficarão as perguntas de quem faz a história legitima? Quem identifica os eventos que são importantes historicamente?
Há duas correntes que estudam a reconstrução da história indígena:
1) O estudo de sociedades autônomas de pequena escala é um erro porque está contraria ao sistema mundial em quais todas as economias estão inseridas.
2) A postura cultural construcionista oposta sugere que a cultura está sempre em processo por decorrência das condições externas.
A conclusão vem do antropólogo Richard Lee que fala que um faz isso negando a existência das sociedades autônomas de pequena escala e o outro diz que suas histórias foram inventadas.


Resenha de Henrique Rodrigues Soares - Sobre parte do livro Uso e Abuso da História Oral de Janaina Amado

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sobre os Annales















Os Annales construíram uma nova história abordando novos grupos sociais, novas perspectivas que eram negligenciadas por antigos historiadores. Com novos métodos, novas fontes e a colaboração de outras ciências, numa construção interdisciplinar.

Começamos na 1° geração onde mudamos de uma história narrativa de acontecimentos para uma história problema, onde nos preocupamos com a geografia, a psicologia e o econômico.

“Outra característica marcante e poderosa do estudo de Febvre era a introdução geográfica, que traçava um nítido perfil dos contornos da região. (...)
O interesse de Febvre pela geografia histórica era suficientemente grande para publicar, sob o incentivo de Henri Berr, um estudo geral sobre o assunto com o titulo de L aterre et l’évolution humaine.”

Marcados pelas figuras de Marc Bloch e Lucien Febvre foi fundada a Revista dos Annales, num ambiente favorável na cidade de Estrasburgo, onde se encontrava um grupo interdisciplinar grande e atuante. Bloch era ligado mais a sociologia do que a geografia, porém insistia na necessidade do historiador dialogar com outras fontes como arqueologia, psicologia e assim por diante.

“(...) Bloch pensava no tema sob a perspectiva de uma história-problema. Num estudo de caráter regional, aprofundou-se tanto a ponto de pôr em questão a própria noção de região, argumentando que esta dependia do problema que se tinha em mente. “ Por que, escreveu ele, devemos esperar que o jurista interessado no feudalismo, o economista que está estudando a evolução da propriedade no interior do país nos tempos modernos, e o filólogo que trabalha os dialetos populares tenham todos que respeitar fronteiras precisamente idênticas?” (Bloch, 1913, p122.)”

Na 2º geração através da figura de Fernand Braudel torna-se verdadeiramente uma escola com estruturas e firmezas dos seus conceitos e métodos. São no seu trabalho como historiador que podemos ver a mudança de um conceito de narrativa de grandes homens para o entendimento do meio que vive, fica explicito no livro Mediterrâneo.

“ Não chegamos ainda ao coração do problema. Abaixo das correntes sociais jaz uma outra história, “uma história quase imóvel... uma história lenta a desenvolver-se e a transformar-se, feita muito frequentemente de retornos insistentes, de ciclos sem fim recomeçados” (Ibid., p.20). A verdadeira matéria do estudo é essa história “do homem em relação ao seu meio”, uma espécie de geografia histórica, ou, como Braudel preferia denominar, uma “geo-história”.”
A terceira geração é marcada pela fragmentação, onde encontra espaço para historiadores de outras nacionalidades que não a francesa, também a inclusão das mulheres. Um dos períodos mais difíceis de explicar sua formação, sua identidade, pois alguns dos Annales continuam explorando os mesmos caminhos da 1º e 2º geração, mas outros voltam à narrativa política e dos eventos.

A falta de uma figura principal como nas gerações anteriores, porém não ofuscam a redescoberta da história das mentalidades e a tentativa de empregar métodos quantitativos na história cultural.

“(...) Dois dos mais destacados historiadores recrutados para a história das mentalidades, no inicio dos anos 60, foram os medievalistas Jacques Le Goff e Georges Duby. Le Goff, por exemplo, publicou um famoso artigo em 1960 sobre “O tempo dos mercadores e o tempo da Igreja na Idade Média” (Le Goff, 1977, 29-42).”
Para concluirmos entendemos que a contribuição dos Annales está na abertura para uma nova discussão, e para novas perguntas que cada dia a sociedade formula.


Resenha sobre livro Escola dos Annales de Peter Burke.
Bibliografia e trechos retirados do livro descrito.

Henrique Rodrigues Soares

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!


Mais um ano no calendário ocidental está terminando, mas um ano gregoriano fica no passado virando História, deixando histórias e semeando histórias que vão crescer, florescer e nascer pelo ano que está chegando.
Imagens que não esqueceremos, fatos, heróis e vilões que farão parte da memória.
Assim são todos os fins de anos, e o que fica é o desejo de começar de novo, a esperança de novos sonhos e conquistas, por isso a história nunca acaba.

Feliz 2010! Para todos que fazemos história todos os dias.


Henrique Rodrigues Soares

domingo, 6 de dezembro de 2009

História




















Discussões e entendimentos
Dinastias e invasões
Conquistas e falecimentos
Heróis e convicções


Eras e cronologias
Quimeras e luta po poder
Traições e picardias
Honrarias ao que morrer


As datas, os marcos
O que me diz a memória
Sobre os fortes e os fracos
A leitura da História.


Henrique Rodrigues Soares O que é a Verdade?

sábado, 31 de outubro de 2009

Sobre Germânia




















O Autor:

O historiador romano Públio Cornélio Tácito, mas conhecido por Tácito, viveu no período entre 55 d.C. - 120 d.C., nasceu e morreu no sul da França, no mundo romano parte da Gália

Embora os dados a respeito de sua infância e juventude sejam muito poucos, sabe-se que Tácito casou em 78 d.C. com uma filha do general romano Caio Júlio Agrícola.

Tácito realizou ampla carreira jurídica em 81 e chegou a ser magistrado criminal. Um pouco mais tarde, em 88, devido à sua experiência tornou-se magistrado que administrava a justiça e em 97, cônsul (magistrado supremo).

Seus dotes oratórios como jurista foram várias vezes reconhecidos, mas foi como historiador que Tácito alcançou a fama. Entre os anos 100 e 117, escreveu os "Anais", onde relatou a história dos imperadores romanos desde Tibério até a morte de Nero. Nas "Histórias", redigidas entre 100 e 110, recriou o período seguinte, que vai até o reinado de Domiciano Além dessas duas obras monumentais, Tácito escreveu a "Germânia" (em que trata da vida e da cultura dos povos germânicos). Como escritor, seu estilo combinava a clareza à eloquência e concisão
Devido ao declínio da literatura latina no final do século II, e durante a anarquia militar do século III, Tácito parece ter sido negligenciado como autor, para ser redescoberto apenas na Antiguidade Tardia, quando o grego Amiano Marcelino, por exemplo, inspirou-se nele para escrever uma história, em latim, da sua própria época. No entanto, no começo da Idade Média Ocidental, sua obra voltou a cair no esquecimento, para só readquirir notoriedade durante a Renascença. Em consequência destas oscilações na sua fortuna crítica, seus textos maiores chegaram até nós muito mutilados, de forma tal que os Anais, tais como podemos lê-los hoje, contêm apenas a descrição de parte do reinado de Tibério - a descrição do reinado de Calígula estando totalmente perdida - parte do de Cláudio, e a maior parte do de Nero - estando também perdida a conclusão da obra. Quanto às Histórias, seu texto preservado contêm basicamente a narrativa da guerra civil do ano 69, que levou à ascensão de Vespasiano ao trono imperial.
Tácito tem as características usuais do historiador antigo: o gosto pela moralização - ele é um severo juiz de caráter - pelas anedotas sobre os grandes homens, o mais absoluto desinterese pela microhistória, o desprezo pelo povo comum, e o amor aos discursos inventados ou remanejados (basta comparar a sua versão do discurso de Cláudio propondo a entrada de nobres gauleses no Senado com o original, que o acaso das descobertas arqueológicas nos disponibilizou, para perceber estes remanejamentos). Sua idealização, como senador que era, da República Romana, o cega para os traços positivos do governo imperial, e é a ele que devemos grande parte da nossa idéia pré-concebida da decadência moral de Roma. Mas ele é antes de mais nada um estilista, conciso até o ponto de ser ambíguo, e com um texto simplesmente lapidar de tão econômico, que parece nos dizer o essencial sobre qualquer situação.


A Obra:

A grande obra tacitiana acerca dos usos e costumes dos antigos germanicos, foi elaborada ao tempo de Trajano, em plena guerra.
Tacito quis comparar os costumes corrompidos dos romanos com os primitivos e rudes, mas sadios, dos antigos povos germanicos.
Tacito elaborou a obra no ano 98 da nossa era, isto é d.C., temos os povos germanos como personagem principal por que naquele momento fascinavam os romanos.
No estilo de uma carta enderaçada aos romanos que estavam em Roma para mostrarem o que cercava este Império que se desfalecia pelo desenvolvimentos desses povos.
Ele expõe a situação da Germania, desde a origem da sua população, até a natureza do solo; depois descreve os costumes germanicos e a arte bélica; e finalmente estuda os diversos povos germanicos em suas principais caracteristicas.


Análise:

Religião.
“...Entoam velhos cantos (que são sua única história e todo os seus anais) ao deus Tuistão, nascido da terra, e a seu filho Mano, como raízes e fundadores de sua nação. A Mano dão-lhe três filhos, dos quais tomaram nome os ingevões, que são os mais costeiros, os herminões, que ocupam o centro, e os istevões, que são os restantes ...”
“...Entretanto a ninguém, a não ser aos sacerdotes, se consente o direito de açoitar, prender ou matar: a pena não é considerada como castigo ou execução das ordens de um comandante, mas imposta pelos deuses que, como crêem, presidem aos combates.
Por esse motivo levam ao campo de refrega certas imagens e simulacros retirando-os dos bosques sagrados...”
“...Além disso, acreditam que o sexo feminino possui algo de divinatório e de profético, pois não desprezam seus conselhos nem deixam de cumprir seus pedidos. No tempo de Vespasiano, vimos Velada ser honrada em muitos lugares como divindade. Em outro tempo veneraram Aurinia e muitas outras, mas não por adulação nem para divinizá-las...”
“...Sua divindade mais venerada é Mercúrio. Para aplacar-lhe as iras em certos dias do ano julgam lícito imolar-lhe vítimas humanas. Aplacam a Hércules e a Marte com animais rituais. Alguns dos suevos também fazem sacrifícios a Ísis. Não pude averiguar qual a causa ou a origem desse culto, embora a mesma imagem, em forma de nave libúrnia , mostra que o culto é estrangeiro. Seja como for, pensam que encerrar os deuses entre quatro paredes e representá-los sob forma humana lhes parece contrário à majestade celeste. Por esse motivo, consagram-lhes selvas e bosques, e dão nomes de deuses a esses misterioros lugares que só olham com olhos reverentes...”
“...Nenhum outro povo leva mais a sério os augures e as adivinhações. A prática de tirar as sortes é simples: dividem um ramo de árvore frutífera em pequenos pedaços que, depois de marcados com certos sinais, são lançados a esmo sobre uma veste branca. A seguir, o sacerdote da cidade, se se trata de negócio público, ou o pai de família, se se trata de assunto doméstico, após haver deprecado os deuses, erguendo os olhos ao céu, toma de três fragmentos da haste, um de cada vez, e faz a interpretação de acordo com os sinais previamente impressos. Se as decisões são contrárias aos que se esperava, naquele dia não se realizam mais consultas a respeito. Se, porém, são favoráveis, requer-se a confirmação dos auspícios. É uso ali, também, consultar-se o canto e o vôo das aves.
Contudo, constituem auspícios peculiares desta raça os presságios tomados do relinchar dos cavalos. Estes animais são sustentados à custa do erário nas próprias selvas e nos bosques sagrados. Tem o pêlo branco e jamais foram profanados nos serviços dos homens. Atrelam-se a um coche santificado e o sacerdote, ou o rei, ou o principal da cidade, os acompanham e lhes observam o nitrido e o respirar. A nenhum outro auspício dão tanto crédito como a esta. Não somente o povo mas também os nobres e os grandes e os sacerdotes vêm nestes cavalos confidentes dos deuses, quando eles, na realidade, não passam de simples ministros...”
“...Os semones se dizem os mais antigos e os mais nobres dos suevos, e confirmam isso com sua religião. Em certas épocas do ano, numa de suas florestas, consagrados pelos áugures dos seus pais e por prístinos terrores — “auguriis patrum et, priscà formidine sacram” — congregam-se os povos dessa mesma origem e, sacrificando publicamente um homem, celebram a horrível instituição de um bárbaro rito. Praticam, do mesmo modo, outra superstição em honra desse bosque sagrado: ninguém penetra ali senão algemado como símbolo de sua própria fraqueza e afirmação do poder da divindade. Se por acaso o iniciado tropeça e cai, não tem direito de se levantar e prosseguir: rola por terra. Todas essas superstições têm por objetivo mostrar que ali está o berço da nação e que ali mora o deus dominador de tudo, a quem todos os demais se sujeitam e obedecem...”
“...isto é, a Mãe-Terra, cuja interferência nos negócios humanos eles acreditam, como acreditam também na visita que ela faz a todos os povos.
Em uma ilha do oceano há um bosque chamado “casto”, dentro do qual existe um coche coberto com um véu dedicado à deusa e que só pode ser tocado pelas mãos de um sacerdote. Este sabe quando a deusa está no santuário e reverentemente acompanha o veículo tirado por uma junta de novilhos. Então há dias de alegria e de festa nos lugares em que a divindade se digna a visitar. São estes os únicos momentos que não consagram à guerra: eles guardam as armas até o instante em que o sacerdote retorna com a deusa, ao templo, farta e cansada da companhia dos mortais. Sem demora, as roupas sagradas, o carro, o véu e, se é lícito acreditar, até a própria deusa, tudo se purifica nas águas de um lago secreto. Os escravos ocupados neste ofício são afogados na própria linfa sagrada. Daí o misterioso terror, a santa ignorância do que possa ser aquilo que só vêm os destinados a perecer...”
“...No país dos naharvalos existe um bosque consagrado por antigo culto. As cerimônias são presididas por um sacerdote vestido de mulher. Acreditam os romanos que ali se adoram os deuses Castor e Pólux, sob a invocação dos Alcis. Neste sítio não se vêem imagens nem vestígios de superstição estrangeira. Veneram somente dois irmãos jovens...”

Comentário:
Vemos religiões e rituais diferentes em várias nações germânicas algumas mais próxima dos romanos e outras tão diferentes entre si. São povos que dão ênfase a suas religiões e ritos e respeitam os deuses como vontade suprema e como aquele que dirige os vencedores e derrotados. Não constroem templos pois seus deuses são divindades como eles, em que a liberdade e natureza são elementos indispensáveis.

O texto é rico em detalhes sobre costumes religiosos, sociais, políticos e econômicos. Fala também da cultura militar e do seus exércitos, dos seus cantos de guerra. Fala de Justiça, Leis, Vestuário, Traços fisiológicos, Hábitos alimentares, Geografia e Calendário.
Vale também ressaltar que Tácito nos mostra como Roma se interessava pelas guerras entre eles oferecendo a alguns até apoio para assim eles nunca se unirem, com isso havia alguns reis dependentes de alianças romanas.
Ele em todo momento demonstra como algumas nações mais próximas comercializavam entre os romanos e cada vez mais estavam entrando dentro do Império.


Resenha de Henrique Rodrigues Soares sobre Germânia de Tácito

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Civilização do Ocidente Medieval – Jacques Le Goff


O autor nasceu em janeiro de 1924, na cidade de Toulon (França), e é considerado um dos maiores medievalistas do mundo, pertence à velha escola francesa que une história à geografia, tornou-se figura chave da escola dos Annales por ter conseguido integrar à reflexão sobre o espaço e o tempo da dimensão humana. Escreveu diversos livros que se tornaram clássicos. Em 1972, sucede Fernand Braudel na École dês Hautes Études em Sciences Sociales, e nela permanece até 1977, cedendo seu lugar a François Furet.
Atualmente Le Goff dedica-se à orientação de alunos em antropologia histórica medieval, e participa do programa televisivo “Lundis de I’Histoire”, no canal France Culture.

Na introdução do livro Le Goff explica que centralizou seu trabalho na Idade Média Central, isto é, nos séculos 10 a 13 d.C. um momento de escolhas e decisivo para Europa Ocidental. Esse tempo viu nascer à cidade medieval diferente das cidades antigas, o arranque da economia monetária, as inovações tecnológicas que influenciaram o crescimento rural, o artesanato pré-industrial e a construção em larga escala.
A fabricação de relógios e bússolas marca o tempo e a distância. A Igreja exerce sua influência criando uma doutrina nova “o Purgatório”.
Um tempo de violência, fome, temor religioso e lutas sociais.

O começo fala sobre a instalação dos bárbaros, o autor fala dos grupos como Normandos, Lombardos, Visigodos e outros que começam a desestabilizar o Império Romano que começa seu fascelamento apartir do 3°séc., pois as classes mais pobres de Roma prefere o domínio dos bárbaros do que a exploração das classes dominantes romanas, então com isso a resistência é quase uma entrega voluntária a esses novos conquistadores que vivem numa guerra constante sem uma liderança máxima até o inicio do Império Huno de Atila e no séc. 7° o aparecimento do Islã criando uma reviravolta no mapa do ocidente.
É importante ressaltar que toda essa crise criada com a devastação econômica, demográfica e social dado às invasões bárbaras, houve definhamento das cidades e uma ruralização forçada com os pequenos submetidos à servidão aos grandes proprietários e um modelo de hereditariedades de profissões e encorajando aos grandes proprietários a fixar nas suas terras colonos.
A Igreja toma lugar de destaque consolidando o primeiro Papa, tomando parte nos conselheiros dos monarcas, e pregam o fim do mundo e que o homem se apegue as coisas espirituais.
No séc. 8º o Ocidente tem o seu poder unificado por Carlos Magno no Império Carolíngio, são o começo com uma organização germânica validada na fidelidade vassala, nos séc. 9º e 10° os povos do Norte entram no cenário, os Normandos nas Ilhas Britânicas e os povos Vikings que saqueiam os trajetos e algumas cidades. Mais o maior problema deste inicio de organização está no conflito interno pelo poder que é continuo e pelas rivalidades econômicas e étnicas que começam a tomar forma e ficam depois por toda história da Europa. Os séc.11º a 13º viram o crescimento populacional com firmamento da agricultura medieval, construção de pequenos diques e fundação de novas aldeias.
A Cristandade se expandiu no Norte e no Leste apesar do Cisma de 1054 em que a Igreja dividiu o Ocidente do Oriente, países que estavam caminhando para o paganismo reforçaram sua fé no Cristianismo. Começaram também as Cruzadas contra o Islamismo e também as rivalidades nacionais nascentes neste período, que acentuava a hostilidades entre Latinos e Gregos. No inicio as cruzadas eram internas trazendo de volta países como a Espanha que havia se tornado islâmica, e depois sim as cruzadas para Jerusalém numa guerra santa contra o Oriente.
A Igreja teve um papel importantíssimo no desenvolvimento do comércio, mudando a mentalidade greco-romana sobre os comerciantes que eram mal vistos pelos senhores feudais, e também serviu de motivador a abertura de seus tesouros guardados no período anterior, pois estava se vivendo escassez de recursos e falta de investimentos.
As cidades que nasceram na Europa e continuam em destaque são na suas maiorias erguidas na época medieval, às cidades antigas tirando Roma perderam seu poderio político econômico e por volta do séc.12º houve a necessidade do cunho de moedas para atender a demanda do comércio que deixou de ser à base de trocas e que mudou seu itinerário fugindo das rotas terrestres inseguras, sujeitos a todo tipo de perigos para rotas marítimas desenvolvendo assim os portos.
Com o renascimento urbano, a educação desenvolve criando os primeiros centros universitários fora da Igreja, o estudo e o ensino viram um oficio e o livro começa a ser difundido.
Nesse tempo a Igreja enfrenta mais uma crise, os Valdenses que são expulsos por serem os mais críticos, a criação da ordem de Francisco de Assis para silenciar as camadas eclesiásticas contra a riqueza do clero, tudo isso, por causa da popularidade alcançada por este grupo de padres. Outros movimentos são calados nas fogueiras e nos tribunais da Santa Inquisição, derrubando cada vez mais a imagem da Igreja e do Papa. Fora as batalhas contra reis ou regiões que aderiam ao paganismo e o islamismo.
Vale lembrar que as revoluções políticas, econômicas e religiosas tiveram seu nascedouro neste período teocêntrico, em que o homem dormia com o medo da ira divina.
No fim o mundo medieval estava deixando o feudalismo clássico e fortalecendo as monarquias, os estados, as nacionalidades, sabendo que estes povos enfrentaram a peste negra uma epidemia que assolou todo o continente europeu.

Henrique Rodrigues Soares sobre o livro do titulo da Editora EDUSC