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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O mundo antigo - economia e sociedade


























Resumo do Ocidente Antigo comercialmente

O tema do livro é economia e sociedade como se refere o seu título, abrangendo um período aproximadamente do século X a.C. ao V d.C., falando da civilização greco-romana, isto é , a Grécia propriamente dita e a Península Itálica.
Falando de Grécia Antiga foca-se normalmente nas cidades-estados com Atenas e Esparta, mas a autora lembra bem que esta parte é o apogeu desta civilização denominado era clássica. O que temos de documentos disponíveis é basicamente sobre Atenas, e a dificuldade está na fragmentação ou na falta de unidade política até por causa da geografia local. Cada cidade tinha seu ritmo próprio.
Ela caminha pela História desde os micênicos, a era Homérica, através dos poemas Ilíada e a Odisséia, que deixam informações de uma estrutura familiar chamada de OIKOS que eram formados por um chefe guerreiro, os outros da família e também pelos servidores, escravos; os bens imóveis: a terra e as casas; e os bens móveis: ferramentas, armas, gado e etc, dos quais dependia a sobrevivência dos grupos.
Eram muito comuns os OIKOS mais próximos se ajuntarem para assaltar localidades roubando lhes os bens e tomando mulheres e crianças como escravos. A movimentação econômica sobrevivia de pilhagem e saques.
Neste período havia os escravos privilegiados que tinham a confiança de seus senhores, e acima disso apesar da situação de ser propriedade de outros ele possuía a proteção do seu senhor.
Pior situação era o Teta que apesar de ser um homem livre não tinha posses e não tinha proteção de ninguém e trabalhava por seu próprio sustento, vagando sem provisões nem abrigo certo.
Havia também os Demiurgos que eram artesões que apesar de não terem posses, tinham uma posição privilegiada por causa da sua especialização, como médicos, profeta, arquiteto e outros.
O grego nutria sentimento contraditório pelo trabalho, admirando apenas os trabalhos habilidosos. Neste patamar de sociedade o poder estava nas mãos dos grandes proprietários de OIKOs, que formavam uma aristrocacia fechada e reforçando sua união com laços de parentesco.
Cada OIKO destes eram independentes, pois o comércio neste período ainda era mal visto, então com isso produziam de tudo, pois o que faltava era trazido na forma de pilhagem ou saque.
Foi só no período Arcaico que começou esta visão de cidades poles se consolidando pelo resolver ‘viver junto’, uma noção de cidadão participante, membro integrante da comunidade, a noção de escravo mercadoria e do estrangeiro. As leis são codificadas, o cidadão vai deixando o campo para participar da política, todos estes movimentos acontecem através de dificuldades e tensões, sendo obtidas estas transformações com grandes esforços e conflitos. Também devemos salientar que a criação destas cidades poles deve-se a geografia local de montanhas e vales e pela dificuldade de comunicação.
Os grandes proprietários forma ficando mais ricos e poderosos emprestando aos mais pobres em trocas de parte de suas colheitas e depois dos que não conseguiam pagar, a tomada de suas terras ou até assumir a posição de escravo.
Com esse quadro grave começou um movimento de colonizações de grupos que a única saída encontrada era sair juntos a tomar outras terras levando seus costumes e comercializando com outros povos e os escravizando. Essas colônias são chamadas apoikia e o emporion que tinham formas diferentes de se estabelecerem.
Quando a crise agrária em Atenas chegou ao ponto extremo, foi escolhido Sólon que empreendeu uma série de reformas, basicamente, a proibição da escravidão por dívidas para os atenienses, acabando com os hectomoro; eliminação das dividas existentes e retorno à pátria e dividiu em quatro categorias os cidadões: pentakosiomédimnoi, hippeis, zeugitai e os tetas.
Vale ressaltar que esta divisão é de caráter econômico e não de nascença, e também começa a criar-se o aparato militar. Depois de Sólon que criou a noção de comunidade e fortaleceu os pequenos camponeses em romper com a aristrocacia, veio Psístrato (560-628) que criou o crédito agrícola, distribuiu aos camponeses as terras confiscadas e favoreceu aos cultos populares. Logo, após Clístenes criou uma constituição democrática solidificando assim o poder comunitário.
Na época clássica Atenas criou três categorias de indivíduos: os cidadões atenienses que tinham todos os direitos possíveis, os metecos que eram livres, mas não podiam ter patrimônio e nem possuíam direitos, e os escravos que eram patrimônio dos seus donos, apesar de que na sociedade atenienses ser um escravo ás vezes era melhor do que ser um meteco que também dependia da proteção de um cidadão ateniense. Com o tempo viu-se irromper várias crises e conflitos entre estas classes e até mesmo dentro delas, houve novas reformas, mas não impediu o declínio da Grécia Antiga.
A Roma Antiga segue o mesmo inicio dos gregos, sendo que uma das diferenças mais latentes é enquanto os gregos havia muitas cidades polis, os romanos centralizaram tudo numa única cidade.
A organização social romana dos primeiros tempos vem de um possível antepassado comum que no lugar de oikos tínhamos os GENS com seus pater famílias (pai de famílias) com os mesmos poderes dos proprietários dos oikos. Estes GENS tinham as clientelas que auxiliavam nas guerras e financeiramente enquanto o patrono representava esta clientela nos tribunais.
Foi na República que se constitui o Senado e a divisão entre patrícios e plebeus, a realeza etrusca foi derrubada por causa da tirania de Tarquínio e as oligarquias tomaram poder. O Estado romano era agrícola e foi com as conquistas militares que se criou ager publicus, denominação as propriedades que ficaram nas mãos do Estado e ele cedia ou alugava conforme fosse sua conveniência. Neste tempo diminuem-se os pequenos proprietários, a cena rural era dominada pelos grandes que incorporavam aos seus domínios até o ager publicus, o sistema agrícola visava à auto-suficiência e o comércio urbano.
No campo ou na cidade homens livres como escravos trabalhavam, a cidade era apenas uma extensão do campo, no fim da República houve um grande desenvolvimento da pecuária e começou o latifúndio de terras.
A escravidão que cresceu muito com as conquistas territoriais romanas foi tomando todo espaço na vida diária, existia uma diferença grande entre ser um escravo na cidade e ser um escravo rural que muitas vezes vivia vida quase subhumana, neste espaço de tempo nasceu as grandes revoltas dos escravos rurais que abalaram a República. Foi acentuado também o crescimento de desocupados pela cidade, pessoas livres que perderam suas propriedades, e isso refletia até no alistamento para as guerras, pois sua posição na hierarquia dependia muito do seu poder econômico.
Com a chegada do Império houve vários conflitos pelo poder dentro do próprio Senado, soldados eram fiéis aos seus Generais, então Augusto para acalmar as tensões fez algumas reformas como: criar um exército profissional, liberar os camponeses da guerra, criar fiscais de tributos do Estado e revitalizar o Senado com uma participação maior das outras cidades que rodeavam Roma.
Augusto criou um sistema de comunicação e a urbanizou todas as cidades próximas, então Roma passou por um período de paz.
Depois de Augusto os outros Imperadores continuaram as reformas urbanas criando rede de água e esgoto e a construção de grandes edifícios e crescendo a máquina estatal, e apesar da urbanização, o crescimento do comércio, das manufaturas, a cidade continuava uma extensão do campo, pois aqueles que detinham toda riqueza compravam mais e mais propriedades rurais e não investiam em outras possibilidades.

Pesquisando esses dois povos que influenciaram muito ocidente que vemos hoje, podemos perceber que apesar da busca de realeza, poderio militar, conquistas territoriais, o que vemos são sociedades agrícolas, escravazistas que se sustentaram durante anos nestes dois pilares.


Resenha sobre livro " O mundo antigo - economia e sociedade - Coleção Tudo é História.
Autora: Maria Beatriz B. Florenzano  -  Editora Brasiliense.

domingo, 25 de outubro de 2009

Germânia (98d.C.) por Tácito

















I


Toda a Germânia está separada das Gálias, da Récia e da Panônia pelo Reno e Danúbio; da Sarmátia e da Dácia por alguns montes e por seus mútuos temores. O resto é circundado pelo Oceano, abrangendo golfos espaçosos e vastas ilhas, com habitantes e reis que a guerra nos fez descobrir recentemente. O Reno nasce de um despenhadeiro inacessível dos Alpes Récios, e depois de torcer um pouco para o poente desemboca no oceano setentrional. O Danúbio, espalhado de um monte pouco elevado e de acesso suave no monte Abnoba, passa por muitos povos até que se lança ao Ponto Euxino por seis bocas, a sétima some nos pântanos.

II

Creio que os germanos são naturais da própria terra e que jamais se mesclaram com a vinda e hospedagem de outros povos; pois, antigamente, todos que emigravam não iam por terra senão por mar e são raros os navios que de nosso mundo se aventuram a penetrar no Oceano imenso e, por assim dizer, oposto ao nosso. Ainda sem o perigo e o horror de um mar desconhecido, quem abandonaria a Ásia, África ou Itália para dirigir-se a essa Germânia áspera, de clima duro e de aspecto tão ingrato, não sendo para seus naturais?

Entoam velhos cantos (que são sua única história e todo os seus anais) ao deus Tuistão, nascido da terra, e a seu filho Mano, como raízes e fundadores de sua nação. A Mano dão-lhe três filhos, dos quais tomaram nome os ingevões, que são os mais costeiros, os herminões, que ocupam o centro, e os istevões, que são os restantes. Alguns, porém, baseados em tal antigüidade, aumentam o número dos filhos do deus e aludem à denominação de mares, gambrívios, suevos e vândalos, afirmando que estes são seus verdadeiros e primitivos nomes e que o de Germania é novo e foi incorporado há pouco, pois os primeiros que passaram o Reno, desalojaram os galos, e agora se chamam tungros os que se chamavam germanos, de modo que um nome que era só de uma parte do povo foi prevalecendo até o ponto em que, desta denominação, tomada a princípio pelos vencedores para inspirar terror, e adotada depois por todo o povo, chegaram todos a chamar-se germanos. Também falam que houve entre eles um Hércules, a quem cantam como herói sem par quando se dirigem ao combate.

III

Possuem também outras canções que chamam bardito, cuja entoada anima-os ao combate e anunciam à boa ou má fortuna que vai ter lugar, segundo o efeito que lhes causa o som. Mais que harmonia de vozes, aquilo parece ser a expressão de seu valor, pois procuram sobretudo produzir um som áspero e um murmúrio entrecortado e colocam o escudo à boca para que a voz ressoe e fique mais cheia. Dizem alguns que Ulisses, ao chegar a esse Oceano em sua grande e fabulosa viagem, chegou à Germânia e fundou e deu nome a Arciburgio, cidade situada às margens do Reno e que ainda está habitada. Dizem que foi encontrado um altar consagrado a Ulisses com o nome de Laertes, seu pai, e que ainda existem nos confins da Germânia e da Récia alguns monumentos e tumbas com inscrições gregas. Não tenho intenção de confirmar nem de refutar com argumentos estas notícias; cada um pode dar-lhes crédito ou não segundo sua inclinação.

IV

Sou da opinião dos que crêem que os povos da Germânia não se alteraram por casamentos com nenhuma outra nação e que são uma raça singular, genuína e semelhante só a si mesma. Portanto, possuem uma perfeita analogia de figura entre eles, ainda que tão numerosos; são de olhos azuis e selvagens, de cabelos ruivos, corpo avantajado e forte só para o ataque violento, mas não suportam com resignação os trabalhos e as fadigas, metem-lhes medo o calor e a fadiga, todavia toleram a fome e o frio por afeitos à avareza e à inclemência do clima.

V

Este, se bem que desigual em algumas regiões, é universalmente sombrio pelos muitos bosques que o formam e desagradável pelos muitos pântanos que o encharcam. Para o lado das Gálias é mais úmido e mais exposto aos ventos para o lado da Nóvica e da Panônia. É fértil em grãos porém, não em árvores frutíferas. É fecundo em rebanhos, mas de proporções reduzidas. Os bois não apresentam pela conformatura e os adereços que lhes ornam a fronte são pobres no tamanho. Amam a abastança e são estas já citadas as suas únicas e mais gratas riquezas. Não sei se foi por mal ou por bem, o certo é que os deuses lhe negaram o ouro e a prata.

Contudo, não me atreveria a assegurar não existia alguma mina desses nobres metais. Quem, porventura, já o investigou? O fato é que eles não lhes emprestam o valor que lhes dão os demais povos. Entretanto, vêm-se ali vasos de prata que costumam presentear os seus embaixadores e príncipes. Porém, não os estimam mais do que se fossem de barro. Sem embargo, os que vivem em nossas fronteiras, tendo em vista o comércio, apreciam o ouro e a prata e, por isso, selecionam algumas espécies das nossas moedas. Os do interior, atendo-se à velha usança, permutam as mercadorias com a maior simplicidade, trocando umas coisas por outras. Preferem a moeda de cunho antigo e, por esta razão, mais conhecida como serratos e bigatos e se inclinam mais pela prata do que pelo ouro, não em virtude de pontos de vista particulares, mas porque as moedas de prata é dinheiro mais cômodo para os que mercadejam objetos comuns e baratos.


Os cinco primeiros capítulos de Germânia de Tácito.

O historiador romano Públio Cornélio Tácito, mas conhecido por Tácito, viveu no período entre 55 d.C. - 120 d.C., nasceu e morreu no sul da França, no mundo romano parte da Gália.