sábado, 26 de fevereiro de 2011
Historicismo versus Positivismo - Parte 1
O Positivismo teve como propósito transformar a História em uma ciência. A partir disso, os positivistas procuravam uma objetividade nos métodos utilizados para analisar os fatos históricos, que para eles deviam ser sempre buscados nos documentos escritos e legitimados pelo Estado.
Para os positivistas, os métodos utilizados nas ciências da natureza poderiam ser aplicados para uma análise social. Contudo, o historiador deveria manter certa imparcialidade diante seu objeto de estudo, sendo totalmente neutro para que assim chegasse a uma verdade histórica objetiva. Os positivistas faziam apenas uma análise geral para aquele fato, sem entrar em detalhes, descrevendo apenas o que o documento “fala por si só”, ou seja, ele descrevia apenas aquilo que estava escrito, sem emitir juízo de valor, sendo totalmente imparcial e objetivo. Para os historiadores positivistas, as análises não poderiam ser desconstruídas, pois os fatos são verdades absolutas.
Já a corrente historicista é uma corrente contrária ao positivismo, pois nela o historiador tem um contato direto com seu objeto de estudo, não se afastando do mesmo, pois ambos se “refletem entre si”.
A partir de tais regras, notamos que o historicismo não busca fazer uma análise objetiva do fato histórico, pois tal fato é construído e reconstruído a partir de diferentes análises. Na concepção historicista o fato está preso em seu tempo e a análise é factual, não sendo mais uma “linha do tempo”, onde os fatos são postos cronologicamente, mas podendo-se analisar certo “ponto” histórico, não sendo necessariamente linear.
Portanto, os tempos históricos e cronológicos do historicismo “andam juntos”, pois esta é uma tentativa de ruptura com o positivismo.
Henrique Rodrigues Soares.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Sobre nossa Independência - Parte 6
Revolução do Porto
O mais interessante que esta Revolução Constitucionalista em Portugal que foi vital para o caminho da Independência do Brasil.
A mudança de Lisboa para o Rio de Janeiro da família real, que no inicio foi uma solução, agora havia se tornado um problema, já que até pela posição geográfica o Rio de Janeiro era o centro do Império Português.
Perto da África, com livre mercado com ingleses, com as províncias ligados ao Rio pela centralidade da realeza, Portugal vai ficando como adjacente do Brasil.
Na realidade Portugal estava acordando pelo efeito desta inversão brasileira, até porque havia sempre vivido da exploração colonial, e agora tinha ficado a mercê de uma economia local muito frágil para os padrões europeus.
Com idéias revolucionárias do fim do absolutismo que já havia acontecido em todo continente, este movimento da cidade de Porto estabeleceu a convocação de uma assembléia constituinte sob o nome Cortes para cobrar e pressionar o rei a sua volta e o retorno dos monopólios portugueses.
A demora da decisão de Dom João VI em voltar, pois chegou a pensar em enviar seu filho, o príncipe Dom Pedro, só aumentava a revolta do povo português contra a monarquia, e a angustia em frente à miséria que assolava ao Reino Português.
A Revolução vencia sua primeira exigência, o rei retornava contra sua própria vontade no dia 26 de abril de 1821 com parte da corte, pois deixa seu filho como príncipe-regente do Brasil.
Porém a Assembléia das Cortes exigia também mudanças econômicas e políticas que subordinassem o Brasil ao antigo regime colonial. Foi retirado o poder do governo regencial de Dom Pedro no Brasil, extinguidos todos os tribunais e departamentos governamentais no Rio de Janeiro. Foi enviadas tropas para o Rio de Janeiro e Pernambuco para submeter o Príncipe, e também por serem os maiores centros ideais de independência.
Ao ver que o Rio de Janeiro e algumas províncias se rebelaram contra seus decretos, as Cortes tenta dialogar com cada província separada. Pernambuco e Ceará não aceitavam mais intervenções portuguesas, entretanto, os pernambucanos se mostravam querer uma independência própria. Minas Gerais hesitava no mesmo propósito, enquanto São Paulo se aliava ao Rio de Janeiro dando sustentação ao Príncipe-regente. No restante estavam subordinados as Cortes.
Henrique Rodrigues Soares
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Mito, Memória e História - parte 2
Tucídides sustenta seu ponto de vista demoradamente, e entre as personagens "históricas" que ele apresenta em sua introdução aparecem Heleno, filho de Deucalião (o ancestral de cujo nome se originou o dos helenos), Minos, rei de Creta, e Agamenon e Pélops. Os detalhes são vagos, afirma ele, tanto sobre o passado remoto quanto sobre o período que antecedeu a Guerra do Peloponeso — um ponto em comum bastante significativo —, mas os esboços gerais são claros e confiáveis. Homero exagerou, pois, sendo poeta, empregou adequadamente a licença poética, e Tucídides, ao contrário da maioria vulgar, reconheceu isso em sua introdução. O próprio Tucídides alerta que em seu trabalho não atenderá aos anseios por exageros e adornos poéticos da parte dos leitores; seu relato dos fatos será objetivo. Mas nem Tucídides, Platão, Aristóteles ou qualquer outro chegaram a mostrar-se totalmente céticos quanto ao que um escritor moderno poderia chamar de "semente histórica do épico", e certamente não o rejeitaram por completo.
Contudo, o que quer que tenha sido, o épico não era história, e sim uma narrativa, detalhada e precisa, com descrições minuciosas de guerras, viagens marítimas, banquetes, funerais e sacrifícios, todos muito reais e vívidos; ele podia conter inclusive algumas sementes encobertas do fato histórico — mas não era história. Como todo mito, era atemporal. As datas e um escalonamento coerente de datas são tão essenciais para a história quanto a medição exata o é para a física. O mito também sugeria fatos concretos, mas estes eram completamente isolados: não tinham ligação nem com os acontecimentos anteriores nem com os posteriores. A Ilíada começa com a cólera de Aquiles por causa de uma afronta à sua honra e termina com a morte de Heitor. A Odisséia, como cenário para as viagens de Ulisses, menciona o término da Guerra de Tróia e o retorno de alguns dos heróis. Mas tudo isso acontecia no estilo "era uma vez", surgindo do nada(o rapto de Helena é meramente outro fato isolado, totalmente a-histórico sem qualquer sentido significativo) e levando a nada. Mesmo dentro da narrativa, o relato é fundamentalmente atemporal, apesar de muitos números (de dias ou anos) serem determinados. "Esses números, em sua maioria, referem-se tipicamente a todas quantidades possíveis, e em geral não estão ligados entre si; não servem de base para cálculos ou sincronizações. Simplesmente indicam, de modo amplo, uma magnitude ou escala, e em sua pseudoprecisão estilizada simbolizam uma longa duração. Na realidade, não há interesse na cronologia, quer relativa quer absoluta." Muitos anos depois, os autores de tragédias mantiveram a mesma indiferença: Édipo, Ifigênia, Orestes, todos fizeram ou passaram por coisas que se acreditava serem fatos históricos, mas os eventos flutuavam vagamente no passado distante, desvinculados, em termos de tempo ou padrão, de outros acontecimentos.
A atemporalidade reflete-se também nas características individuais. A morte é um dos principais tópicos de suas vidas (bem como a honra, da qual é inseparável), e o destino é freqüentemente o mais importante poder propulsor. Nesse sentido eles vivem no tempo, e tão somente nesse sentido. A nenhum leitor da Odisséia deve ter escapado que quando o herói volta, depois de vinte anos, ele e Penélope são exatamente o que haviam sido meia geração antes. Mas Samuel Butler certamente não se deu conta disso, quando escreveu: "Não há nenhum caso de amor na Odisséia, exceto a volta de um homem casado, calvo e idoso, para a esposa idosa e o filho adulto, depois de uma ausência de vinte anos, e furioso por terem-lhe rou¬bado tanto dinheiro nesse meio-tempo. Dificilmente, porém, poderíamos chamar isso de caso de amor; quando muito, não passa de domesticidade."
O poeta não diz que Ulisses estava calvo e velho; Butler é quem o diz, e, provavelmente, foi isso que ele chamou de ler os versos homéricos "com inteligência": lendo-lhes as "entrelinhas". Um Ulisses que não estivesse calvo e velho depois de vinte anos seria contrário ao senso comum e à "inteligência". O erro - e Samuel Butler é apenas um bode expiatório para uma prática freqüente - está em aplicar o pensamento histórico moderno, à guisa de senso comum, a um relato mítico, a-histórico. Esposas e maridos históricos envelhecem, mas a verdade é que nem Ulisses nem Penélope mudaram em nada; não evoluíram nem degeneraram, assim como nenhuma outra personagem do poema épico. Tais homens e mulheres não podem ser personagens da história; são excessivamente simples, fechados em si mesmos, rígidos e estáveis, excessivamente desvinculados de seus contextos. São atemporais como o próprio poema.
Talvez o exemplo mais decisivo não venha de Homero, mas de Hesíodo, que viveu aproximadamente na mesma época*. A introdução de Os Trabalhos e os Dias contém um dos mais famosos relatos primitivistas, a narrativa do declínio do homem da idade de ouro do passado em vários estágios, cada um simbolizado por outro metal: ao ouro sucede-se a prata, em seguida o bronze ou o cobre, e finalmente o ferro (a era presente). Mas a visão de Hesíodo não é de degeneração progressiva, de evolução ao contrário. Cada raça humana (Hesíodo fala de raças, genê, não de idades) não evolui até
a seguinte; ela é destruída e substituída por uma nova criação. Nenhuma das raças existe nem no tempo nem no espaço. As raças humanas são atemporais como a Guerra de Tróia: tanto em relação ao futuro quanto ao passado. E assim Hesíodo pode lamentar: "eu não queria estar entre os homens da quinta geração, e sim ter morrido antes ou nascido depois" (versos 174-75)12.
É possível que o mito das quatro idades ou raças do metal tenha se originado no Oriente, sendo helenizado por Hesíodo. Mas houve também uma quinta idade ou raça, certamente grega do começo ao fim: a idade dos heróis inseridos entre o bronze e o ferro. "Mas quando a terra cobriu também essa geração [bronze], Zeus, o filho de Cronos, criou mais outra, a quarta, sobre a terra fecunda, que era mais nobre e justa, uma raça semelhante a deus, de homens-heróis que são chamados de semideuses, a raça que antecedeu a nossa, por todo o vasto mundo." Essa colcha de retalhos era inevitável, pois os mitos dos heróis estavam tão arraigados na mente e eram tão indispensáveis que não podiam ser deixados de lado. A colcha de retalhos é a regra no mito, e não causa problemas. Só os que têm uma mente voltada para a história é que vêem os pontos rústicos e as costuras defeituosas, e sentem-se incomodados com isso, como é evidente em He-ródoto. Mas Hesíodo não tinha uma mente voltada para a história. De um lado estavam as quatro raças e, de outro, a raça dos heróis. Estes eram os dados e a tarefa do poeta consistia em coligi-los. Ele o fez do modo mais fácil possível, graças à total ausência do elemento tempo. Não havia problemas cronológicos, nem datas para ser sincronizadas, nem evolução para ser acompanhada ou explicada. A raça de heróis não tinha começo na história: ela simplesmente foi feita por Zeus. E também não tinha fim, não sofrera transição para o estágio seguinte, o contemporâneo. Alguns dos heróis foram destruídos diante dos portões de Tebas e na Guerra de Tróia. "Mas, para os outros, o pai Zeus, filho de Cronos, deu vida e um lar separados dos homens, obrigando-os a morar nos confins do mundo. E, imunes à tristeza, vivem eles nas ilhas dos bem-aventurados ao longo da costa do profundo e revolto oceano."
Existe, naturalmente, um sentido no qual o mito das idades não é propriamente um mito. Ele é abstraio demais.
Trecho do livro Uso e Abuso da História de M. I. Finley
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Sobre nossa Independência - Parte 5
A chegada da Corte.
Com a pressão de uma invasão francesa as portas de Portugal, a Corte se sente obrigada para uma transferência para o Brasil, com proteção dos aliados ingleses.
Então em 1808 começa a se construir a condição favorável para futura Independência com as primeiras atitudes do príncipe regente Dom João VI, em abrir os portos a todas as nações, fazendo tratados comerciais com ingleses que depois se tornaria um dos pilares do interesse britânico em intervir afavor dos brasileiros.
Dom João VI trouxe uma infra-estrutura, e construindo o que faltava para que a cidade do Rio de Janeiro estivesse em condições de ser capital administrativa da realeza portuguesa, como relata o historiador Ciro Flamarion Cardoso:
“Um verdadeiro aparelho de estado e um corpo diplomático instalaram-se no Rio. E em 16 de dezembro de 1815, o Brasil passou à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarve. Assim, a ex-capital colonial tornara-se sede de ministérios, secretarias, tribunais, repartições públicas, de um Conselho de Estado, outro de Fazenda etc. E foi no Rio de Janeiro que, morta a rainha, o até então príncipe-regente foi aclamado, em 1818, como rei João VI.” (História Geral do Brasil – pág.124).
O Rio de Janeiro foi a cidade que experimentou as maiores transformações, sua população teve um aumento de quase 50%, fora as manufaturas até por causa do alto crescimento demográfico. Houve também na Bahia, o primeiro estabelecimento de curso superior, teve inicio a exploração de ferro em Minas Gerais e em São Paulo.
Apesar de tudo isso havia um grande descontentamento com privilégios que portugueses recebiam em todas suas atividades, tanto que nesse período vemos nascer a Revolução Pernambucana da qual já nos referimos.
“(...) O afluxo de comerciantes e funcionários lusos foi intenso nos anos que se seguiram à instalação do governo lusitano no Rio de Janeiro, cidade que começou a ser percebida como “portuguesa” por excelência pelos habitantes de outras partes do Brasil. A xenofobia esteve presente na revolução que começou no Recife em 1817, chefiada de inicio por um comerciante liberal e logo contando com o apoio de militares,
funcionários, membros do clero e proprietários.” (História Geral do Brasil – pág. 125).
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 7 de novembro de 2010
Sobre nossa Independência - Parte 4
Como que é esse Nacionalismo?
Todos os movimentos anteriores a Independência sempre foram locais, e apenas assumindo quando muito as regiões mais próximas, como no caso da Revolução Pernambucana, ajuntaram-se as províncias do Rio grande do Norte, Paraíba e Ceará.
Não existe ideal nacionalista, não existe clamor por uma pátria, mas sim por uma guerra de interesses comerciais. Existe sim, um antiportuguesismo generalizado.
Para negros e mestiços, é uma luta contra os brancos, é a busca da luta pela igualdade de oportunidades e direitos, e para os fazendeiros, comerciantes, a alta classe era garantia da ordem e seus privilégios.
Apartir do país independente fica notório que tudo fica do mesmo jeito nas questões de distribuição econômica e nas estruturas da sociedade, isto é, vitória da elite.
Ressalto que no período da maioria das rebeliões o que temos hoje como espaço brasileiro nem existia, pois tínhamos o Brasil e o estado do Grão Pará e Maranhão.
Outro fator preponderante é que a população maior que era os mais pobres, não tinha conhecimento dos acontecimentos, e muito menos conhecimento dos ideais libertários franceses. Não havia comunicação adequada entre as regiões, nem estradas em quantidade ou qualidade que torna-se isso viável.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 31 de outubro de 2010
Sobre nossa Independência - Parte 3
Alguns dos principais movimentos:
Houve antes vários movimentos pequenos que não vieram a influenciar a Independência desde o século XVII, mas vamos falar dos mais recentes e importantes:
Inconfidência Mineira (1789) – Desde metade do século XVIII, há uma queda acentuada na mineração, apesar desta decadência, o Marquês de Pombal determina a derrama, com isso começa uma conspiração organizada da elite que se revolta com esta cobrança desmedida.
O movimento não chega a lugar algum, pois antes disso, os planos são delatados e presos os envolvidos, sendo condenados, e um em especial o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) em que recai o papel de líder, com enforcamento e esquartejamento para servir de alerta às idéias de independência.
Conjuração do Rio de Janeiro (1794) – Nesta época a Coroa preocupada com as tensões coloniais, recebe denuncias de reuniões noturnas e de ideais subversivos de integrantes da Sociedade Literária e os prende antes de alimentar qualquer ação conspiratória. Para a Coroa foi desbaratada mais uma rebelião local.
Revolta dos Alfaiates (1798) – Com este nome fica conhecida à conjuração baiana que dentre os movimentos foi o que mais abarcou as camadas mais pobres, apesar da liderança elitista que nasceram nas lojas maçônicas.
Quando o Governo Geral do Brasil é transferido para o Rio de Janeiro, a estagnação econômica que já desde o declínio da exportação açucareira se acentua, criando uma insatisfação grande dos poderosos, como dos pequenos da sociedade baiana.
É interessante ressaltar que outra vez a Coroa reprime mais este movimento com a prisão dos intelectuais e os mais abastados, enquanto os das classes mais pobres são julgados e executados.
Revolução Pernambucana (1817) – De todas as regiões brasileiras é a que alimenta mais o antiportuguesismo desde as invasões holandesas, por ter perdido seu papel de importância na colônia, e por pagar caro pela estada do Reino ao Brasil em 1808, com mais impostos para sustentar a corte que fica no Rio de Janeiro.
Depois de se acender todas as discussões nas várias lojas maçônicas e amadurecer um ideal de libertação, com a posse de um novo governador que tem uma administração mais pelos interesses portugueses, a conspiração torna-se inevitável.
É também o movimento mais importante em qual quando reprimidos pela Coroa, tomam a cidade de Recife e proclamam a Republica de Pernambuco. Depois de algumas medidas populares trazendo o povo mais humilde a revolução, é enviado aos Estados Unidos, Inglaterra e Argentina, emissários para o reconhecimento da independência.
Em outra frente são enviados emissários as regiões vizinhos para aumentar o tamanho da revolução como Bahia, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, mas fracassam rapidamente.
Como Pernambuco não consegue o seu intento de reconhecimento internacional, nem de apoio em terras brasileiras, torna-se presa fácil à repressão portuguesa. São atacados por terra e encurralados pelo mar até se dispersarem. Os que não morrem em combates, são presos, e alguns torturados até a morte.
Porém este movimento deixa aceso entre suas cinzas à insatisfação da colônia com o governo português, e marcas de uma liberdade necessária para uma economia e política local.
Um fator preocupante para os portugueses é que esta rebelião aconteceu com o próprio rei em terras brasileiras, não era mais um sentimento de está distante da Metrópole, mas sim de cortar os laços de ser colônia explorativa dos portugueses de lá.
Henrique Rodrigues Soares
Houve antes vários movimentos pequenos que não vieram a influenciar a Independência desde o século XVII, mas vamos falar dos mais recentes e importantes:
Inconfidência Mineira (1789) – Desde metade do século XVIII, há uma queda acentuada na mineração, apesar desta decadência, o Marquês de Pombal determina a derrama, com isso começa uma conspiração organizada da elite que se revolta com esta cobrança desmedida.
O movimento não chega a lugar algum, pois antes disso, os planos são delatados e presos os envolvidos, sendo condenados, e um em especial o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) em que recai o papel de líder, com enforcamento e esquartejamento para servir de alerta às idéias de independência.
Conjuração do Rio de Janeiro (1794) – Nesta época a Coroa preocupada com as tensões coloniais, recebe denuncias de reuniões noturnas e de ideais subversivos de integrantes da Sociedade Literária e os prende antes de alimentar qualquer ação conspiratória. Para a Coroa foi desbaratada mais uma rebelião local.
Revolta dos Alfaiates (1798) – Com este nome fica conhecida à conjuração baiana que dentre os movimentos foi o que mais abarcou as camadas mais pobres, apesar da liderança elitista que nasceram nas lojas maçônicas.
Quando o Governo Geral do Brasil é transferido para o Rio de Janeiro, a estagnação econômica que já desde o declínio da exportação açucareira se acentua, criando uma insatisfação grande dos poderosos, como dos pequenos da sociedade baiana.
É interessante ressaltar que outra vez a Coroa reprime mais este movimento com a prisão dos intelectuais e os mais abastados, enquanto os das classes mais pobres são julgados e executados.
Revolução Pernambucana (1817) – De todas as regiões brasileiras é a que alimenta mais o antiportuguesismo desde as invasões holandesas, por ter perdido seu papel de importância na colônia, e por pagar caro pela estada do Reino ao Brasil em 1808, com mais impostos para sustentar a corte que fica no Rio de Janeiro.
Depois de se acender todas as discussões nas várias lojas maçônicas e amadurecer um ideal de libertação, com a posse de um novo governador que tem uma administração mais pelos interesses portugueses, a conspiração torna-se inevitável.
É também o movimento mais importante em qual quando reprimidos pela Coroa, tomam a cidade de Recife e proclamam a Republica de Pernambuco. Depois de algumas medidas populares trazendo o povo mais humilde a revolução, é enviado aos Estados Unidos, Inglaterra e Argentina, emissários para o reconhecimento da independência.
Em outra frente são enviados emissários as regiões vizinhos para aumentar o tamanho da revolução como Bahia, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, mas fracassam rapidamente.
Como Pernambuco não consegue o seu intento de reconhecimento internacional, nem de apoio em terras brasileiras, torna-se presa fácil à repressão portuguesa. São atacados por terra e encurralados pelo mar até se dispersarem. Os que não morrem em combates, são presos, e alguns torturados até a morte.
Porém este movimento deixa aceso entre suas cinzas à insatisfação da colônia com o governo português, e marcas de uma liberdade necessária para uma economia e política local.
Um fator preocupante para os portugueses é que esta rebelião aconteceu com o próprio rei em terras brasileiras, não era mais um sentimento de está distante da Metrópole, mas sim de cortar os laços de ser colônia explorativa dos portugueses de lá.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 24 de outubro de 2010
Sobre nossa Independência - Parte 2
Os Limites da Revolução.Apesar do discurso de liberalismo europeu, apenas pequena parte da elite revolucionária estava inspirada nas obras de autores europeus, pois a maioria deles continuava elitistas e escravocratas. Por isso, a realidade que encontramos quando analisamos os movimentos como Inconfidência Mineira (1789), Conjuração Baiana (1798), Revolução Pernambucana (1817), nos deparamos com liberalidade exclusivista aos senhores comerciantes e produtores rurais, mesmo diante da associação dessas classes excluídas.
Havia por parte desses senhores o medo de um levante escravo, pois a população de negros livres e mulatos, mais os que ainda eram escravos excediam os brancos.
Soava falso toda história de igualdade ou liberdade como é dito pela historiadora Emilia Viotti:
“Dentro dessas condições soariam falsos e vazios os manifestantes em favor das formulas representativas de governo, os discursos afirmando a soberania do povo, pregando a igualdade e a liberdade como direitos inalienáveis e imprescritíveis do homem, quando, na realidade, se pretendia manter escravizada boa parte da população e alienada da vida política outra parte” (Monarquia à República, pág. 31).
Não deve esquecer o traço de uma revolução com aval da Igreja, pelos menos local, como no processo de 1817 conhecidos como Revolução dos Padres, em que vários sacerdotes se engajaram como propagadores e ativistas da causa. A verdade que isso tinha a ver com o Direito de Padroado que era submetida ao Rei, e por isso a hostilidade dos setores do clero.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 17 de outubro de 2010
Sobre nossa Independência - Parte 1
Como Chegamos até a Independência?
Por volta do meio do século XVIII começa a crise da Europa absolutista e mercantilista, e isso afeta diretamente Portugal que vive quase unicamente da exploração colonial. A Coroa portuguesa já endividada, escrava dos interesses ingleses procura manter seu processo explorador com mais contundência, aumentando sua severa fiscalização, sua alta tributação e o regime de monopólios.
O peso suportado pela colônia já demonstra sinais de insatisfação. O que no início era considerado um pacto entre irmãos era na realidade um tratado unilateral comercial entre Metrópole e sua colônia.
O sistema colonial tradicional proibia as colônias de exportar seus produtos diretamente aos outros países, todos teriam que passar pela Metrópole, como também as manufaturas importadas dos ingleses chegariam do mesmo modo. É nesse instante que começa afetar os grupos que detinham o poder local. Por causa deste regime de monopólio da Coroa, outros países começaram ocupar territórios brasileiros, havia do mesmo modo ataques de piratas e corsários e, várias formas de contrabando praticadas numa crescente, fugindo assim da tributação portuguesa.
A Metrópole estava atrasada diante das outras nações européias, que trocavam o mercantilismo pelo capitalismo, enquanto a colônia depois da corrida do ouro nas Gerais teve um aumento de população e desenvolvimento do mercado interno que coincidiu com a expansão do mercado internacional, assim criando terreno favorável a uma pregação revolucionaria.
Com a inviabilidade do sistema colonial econômico, cheio de imposições comerciais da Coroa, como o limite imposto à importação de escravos, restrições de livre circulação de produtos entre as províncias, a corrupção e os desmandos dos oficiais da Coroa. E mais importante os portugueses daqui, enxergam que estão desprestigiados pelos portugueses de lá, sendo que no inicio ainda se consideravam parte da Metrópole.
O movimento que na Europa foi contra o absolutismo, no Brasil foi contra o colonialismo, pois nas décadas finais do século XVIII, as tensões aumentaram, e já iniciava algumas conspirações de influencia por causa das revoluções francesas e americanas.
Através de livros, e principalmente de estudantes que viajavam para Europa para concluir seus estudos, no retorno difundiam em reuniões de academias literárias ou cientificas e sociedades secretas.
As sociedades secretas Maçonaria tiveram importante papel na divulgação desta idéias, que culminou com a Conjuração Baiana (loja maçônica “Os Cavaleiros da Luz”) e, na Revolução Pernambucana (loja “Areópago” que depois saíram duas: “Paraíso e Suassuna”).
No Rio de Janeiro houve uma multiplicação das sociedades secretas, tanto que quando D. João VI manda averiguar, manda fechar todas as lojas, coisa que não adiantou muito, pois logo depois elas se reorganizaram.
Outro fator interessante é ressaltar que enquanto na Europa a Maçonaria era de posição anticlerical, no Brasil os padres engrossavam as fileiras com funcionários, professores, comerciantes e fazendeiros.
Henrique Rodrigues Soares
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Obrigado!
No dia 16 de setembro de 2010, fizemos 1 ano de blog, e agradeço pelos 30 seguidores, pelas 4500 visitas e pelas 17 postagens com 13 comentários.
Não posso esquecer do selo recebido pelo Blog História Viva que nos enriqueceu de orgulho, presente do amigo Eduardo Marculino.
Postamos com seriedade e com paixão pela História, material próprio, de historiadores com suas identificações e de blogs com historiografia de qualidade.
No próximo mês tentaremos fazer um blog com mais dinâmica e com apresentação de maior contéudo.
Festejo com todos e deixo o meu obrigado.
Henrique Rodrigues Soares
Não posso esquecer do selo recebido pelo Blog História Viva que nos enriqueceu de orgulho, presente do amigo Eduardo Marculino.
Postamos com seriedade e com paixão pela História, material próprio, de historiadores com suas identificações e de blogs com historiografia de qualidade.
No próximo mês tentaremos fazer um blog com mais dinâmica e com apresentação de maior contéudo.
Festejo com todos e deixo o meu obrigado.
Henrique Rodrigues Soares
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Tradição oral e história oral: revendo algumas questões.
Começamos pela importância da tradição oral indígena para documentar tempos históricos onde não existem documentos escritos, pelo menos da parte dos indígenas.
Cada vez mais tem sido exigido pelos povos indígenas ser reavaliados a história das relações entre nativos e brancos, pois na sua visão está incorreto suas imagens e suas representações serem guiados pelo outro lado.
Os povos indígenas acreditam que a repetição oral de suas histórias será mais bem entendida, diferente do meio acadêmico que escrutinam suas fontes. O desafio está em conciliar os dois lados.
Abordagens históricas à análise da tradição oral.
Tradição oral – Bens materiais que ficaram do passado, ou outro vezes, o nome do processo pelo qual a informação é levada de geração a geração.
História oral – Método de pesquisa baseado em entrevistas de uma testemunha ocular do fato histórico.
Algumas abordagens:
1) No século XIX, os folcloristas europeus consideravam os relatos orais como coisas isoladas para colecionar.
2) Nessa formula surge com grupos de interesse que se apropriam de tradições indígenas, dizendo encontrar nelas espiritualidade ou conhecimento natural da ecologia.
Nas duas abordagens espera-se que problemas do estado moderno recebem respostas convenientes para os estados modernos vindo dos indígenas.
Apesar de alguns acadêmicos do século XIX se preocupar com o contexto social em que a tradição oral ocorre, contudo, interessavam pelo discurso do presente mais do que passado.
Em meados do século XX, os estruturalistas influenciados por Claude Lévi-Strauss que a tradição oral é expressões da mente humana, nada tem a ver com presente ou passado. São simbolicamente narrativas que atuam para tentar resolverem questões do
comportamento social que não podem ser resolvidas por causa de sua complexidade, isto é, não tem nada de real, pois a realidade está em nível mais profundo.
Outra estrutura deste século XX vincula a tradição oral aos movimentos políticos que usaram como interesse para acender o nacionalismo. Buscando reconstituir herança cultural perdida para unir a população por causa de suas origens. É usada como exemplo a Alemanha que esse nacionalismo floresceu unindo estados dispersos, e a China que no momento oportuno legitimou rebeliões contra o Império e depois foi sufocada pelo novo estado que fora criado.
Abordagens atuais á análise da tradição oral.
Atualmente a tradição oral é estudada sua formação como seu posicionamento, e pode ser vista como transmissões de conhecimentos. Não se pode comparar com a pesquisa acadêmica, pois diante de uma evidencia legitima pode possuir significados diferentes.
A história oral sobre o passado que já foi considerada limitada pelo seu caráter subjetivo, hoje se tornou uma virtude para entender os processos históricos através da vida de uma pessoa.
Neste entendimento temos duas abordagens:
1) Um focaliza a história social, a vida cotidiana e as contradições das relações de poder.
2) A outra se preocupa com a formação das narrativas e os seus meios usados para firmar seu discurso.
Vamos para alguns exemplos de observações em quatro contextos culturais:
1) Renato Rosaldo começou seu trabalho na Filipinas nos anos 70, pensando reconstruir a história desse povo usando fontes orais. Mas uma de suas contribuições foi demonstrar que pode ser prejudicada nossa capacidade de escutar o que está sendo dito. Segundo ele é um erro equiparar os depoimentos orais com documentos escritos, pois os depoimentos orais devem ser ouvidos no seu contexto. A advertência de Rosaldo é para que se estude o texto e não olhe através dele, em torno dele ou por trás dele.
2) Na Nova Zelândia, a historiadora Judith Binney resolveu comparar história dos maoris com os textos escritos dos pakehas, e sua maior conclusão que não há como acabar com as contradições entre história oral e escrita.
3) Trabalhando na África Oriental, David Cohen, verificou que deve haver um cuidado para não afirmar uma história oral, porque é inevitável o privilégio de classes ou clãs mais fortes, ou cujas tradições se assemelham mais as nossas. Fala também da memória que para alguns é mais escassa.
4) No fim dos anos 80 os chefes de algumas tribos decidiram defender seus direitos de terras na Suprema Corte de um mundo codificado com suas tradições orais. O juiz canadense negou valor da história oral como evidencia e se prendeu ao que havia de escrito para sua sentença.
O ponto em comum dos quatro exemplos é que em lugares diferentes a história oral tem peso diferente para suas sociedades.
Também devemos ser criteriosos sobre as tentativas de codificar essa história oral.
Instrução etnográfica: para onde nos conduz?
A tradição oral complica nossas perguntas quando olhamos para o discurso acadêmico, como ocidentais ficam perdidos diante de diferentes de tipos de evidencias para recriarmos o passado.
Quanto às questões indígenas ficarão as perguntas de quem faz a história legitima? Quem identifica os eventos que são importantes historicamente?
Há duas correntes que estudam a reconstrução da história indígena:
1) O estudo de sociedades autônomas de pequena escala é um erro porque está contraria ao sistema mundial em quais todas as economias estão inseridas.
2) A postura cultural construcionista oposta sugere que a cultura está sempre em processo por decorrência das condições externas.
A conclusão vem do antropólogo Richard Lee que fala que um faz isso negando a existência das sociedades autônomas de pequena escala e o outro diz que suas histórias foram inventadas.
Resenha de Henrique Rodrigues Soares - Sobre parte do livro Uso e Abuso da História Oral de Janaina Amado
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